HOME > Sudeste

Escritório de advogado de Mário Frias foi contratado por produtora de Dark Horse para atuar em programa da Prefeitura de SP

Prestação de contas do contrato revela que o Instituto Cidades Inteligentes do Brasil destinou R$ 341,3 mil ao escritório Aguilera Martinez

Mario Frias e Karina Gama (Foto: Divulgação I Reprodução)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, fraude em licitação e lavagem de dinheiro envolvendo o Instituto Cidades Inteligentes do Brasil (ICB), organização responsável pela execução do programa WiFi Livre SP. Segundo o Estadão Conteúdo, a apuração também alcança a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).

O foco da investigação está na relação entre o instituto e a produtora, ambos ligados à empresária Karina Ferreira da Gama. Os investigadores buscam esclarecer se recursos públicos destinados à expansão da internet gratuita em comunidades de baixa renda teriam sido utilizados para financiar atividades da empresa cinematográfica.

Suspeitas de desvio e confusão patrimonial

Em ofício encaminhado à 1ª Vara Regional de Garantias, o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), apontou indícios que justificam o aprofundamento das investigações.

“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”, escreveu o delegado.

Diante das suspeitas, a Polícia Civil solicitou ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) uma análise detalhada das movimentações financeiras de Karina Ferreira da Gama, do ICB e da Go Up Entertainment. O objetivo é rastrear o destino dos recursos públicos recebidos pelas entidades e verificar a eventual prática de irregularidades.

Contrato já soma R$ 157,1 milhões

O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Cidades Inteligentes do Brasil foi firmado em junho de 2024, com valor inicial de R$ 108 milhões. O acordo previa a instalação de 5 mil pontos de acesso gratuito à internet em comunidades de baixa renda da capital.

De acordo com os dados do programa, cerca de 3.200 pontos já foram implementados. Em dezembro de 2025, a administração municipal aprovou um aditivo de R$ 49,1 milhões para a manutenção dos equipamentos instalados. Com isso, o volume total de recursos destinados ao convênio alcançou R$ 157,1 milhões.

ONG pagou R$ 341,3 mil a escritório de advocacia

A prestação de contas do contrato revela que o Instituto Cidades Inteligentes do Brasil destinou R$ 341,3 mil ao escritório Aguilera Martinez entre julho de 2024 e julho de 2025.

Os documentos mostram um pagamento inicial de R$ 151 mil em julho de 2024, seguido por outras 11 parcelas mensais de R$ 17,3 mil cada. As despesas foram registradas sob a rubrica de “prestação de serviços jurídicos”.

No entanto, os relatórios analisados não detalham quais serviços teriam sido efetivamente prestados pelo escritório. Também não há prestação de contas pública disponível para o período posterior a julho de 2025.

Coaf analisará movimentações financeiras

A solicitação feita pela Polícia Civil ao Coaf busca identificar o caminho percorrido pelos recursos recebidos pelo instituto e por sua controladora. A investigação tenta verificar se houve transferência de recursos públicos para finalidades diferentes das previstas no contrato firmado com a Prefeitura.

Os investigadores também apuram se empresas subcontratadas e outras organizações ligadas à empresária foram utilizadas para movimentar recursos que estariam sob suspeita.

Prefeitura rejeita acusações

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São Paulo negou qualquer irregularidade relacionada ao programa WiFi Livre SP. Em nota, a administração municipal afirmou que os fatos apresentados na investigação constituem “ilação”, sem fundamento e sem provas, e rejeitou as suspeitas levantadas pela Polícia Civil. da investigação policial.

Artigos Relacionados