Flávio critica Zema após vídeo sobre caso Vorcaro e vê chapa inviável
Senador do PL reage a declarações do governador mineiro sobre áudios ligados ao filme “Dark Horse” e amplia tensão na direita para 2026
247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (15) que a possibilidade de uma chapa presidencial com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ficou “inviável” após críticas públicas feitas pelo mineiro sobre sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil e repercutem o impacto político dos áudios revelados pelo Intercept Brasil sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
Na entrevista, Flávio acusou Zema de agir de forma precipitada ao publicar um vídeo nas redes sociais classificando como “imperdoável” a relação do senador com Vorcaro. O parlamentar afirmou que tentou contato com o governador mineiro para esclarecer os fatos antes da divulgação das críticas públicas.
Em entrevista à emissora, Flávio disse que Zema preferiu explorar eleitoralmente a polêmica em vez de ouvir sua versão. “Não deu oportunidade para se explicar e correu para um estúdio para gravar um vídeo e se aproveitar eleitoralmente disso”, declarou.
O senador também afirmou que telefonou para o governador após a publicação do vídeo. “Eu acho que foi um equívoco, eu liguei para ele ontem, tentei falar com ele. não é justo o que ele fez comigo. ele se equivocou, tenho certeza que ele deve estar arrependido neste momento, depois das minhas explicações”, afirmou.
As declarações aumentaram o desgaste entre PL e Novo em meio às articulações para a eleição presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro e Romeu Zema já haviam sinalizado publicamente a intenção de construir uma candidatura conjunta contra o presidente Lula (PT). Após a crise, lideranças do PL passaram a discutir a suspensão de alianças regionais com o Novo, principalmente nos estados do Sul do país.
Áudios ampliam pressão sobre Flávio Bolsonaro
A tensão política ganhou força depois da divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens de áudio trocadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nos registros, o senador relata dificuldades financeiras para concluir a produção do longa “Dark Horse”, dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel.
Em um dos áudios, Flávio demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao filme. “Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque está num momento muito decisivo aqui do filme. E como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, declarou.
Na sequência, o senador pressiona Vorcaro para manter os repasses financeiros e afirma que corria o risco de “não honrar compromissos” ligados à produção cinematográfica.
Após a repercussão do caso, Flávio Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que a busca por financiamento ocorreu dentro da legalidade. “O que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, disse.
Crise provoca ruídos entre PL e Novo
As declarações de Romeu Zema abriram uma nova frente de conflito dentro do campo conservador. Lideranças do PL passaram a avaliar o impacto das críticas sobre acordos estaduais já costurados entre os dois partidos.
Segundo interlocutores da legenda, integrantes do partido defendem que os presidentes nacionais do PL e do Novo retomem conversas para redefinir os termos da relação política entre as duas siglas antes do avanço das negociações eleitorais para 2026.
A crise também ocorre em um momento delicado para o grupo bolsonarista, após a divulgação de informações sobre o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro e a repercussão negativa nas redes sociais e no mercado político.



