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Furto de vírus na Unicamp: caso tem novo suspeito e polícia quer saber se amostras foram vendidas

As amostras incluíam vírus como dengue, zika, chikungunya, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e diferentes variantes da gripe tipo A

Após audiência de custódia realizada na terça-feira (24), Soledad Palameta Miller foi colocada em liberdade, mas continuará respondendo ao process (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Federal (PF) apura se amostras de vírus retiradas de um laboratório de alta segurança da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foram alvo de tentativa de comercialização. O caso envolve a professora doutora Soledad Palameta Miller e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, apontados como principais suspeitos. As informações são do g1.

Embora ainda não haja elementos concretos que comprovem a venda das amostras biológicas, a investigação considera essa hipótese diante das circunstâncias do caso. O casal é sócio da empresa Agrotrix Biotech Solutions, que atua na área de pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais, o que também passou a ser analisado pelas autoridades.

De acordo com a PF, ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia (IB), uma estrutura classificada como NB-3, o mais alto nível de biossegurança do país para manipulação de agentes infecciosos.

 Parte do material foi levada para outros prédios dentro da própria universidade, incluindo instalações da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), onde Soledad atuava.

As amostras incluíam vírus como dengue, zika, chikungunya, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e diferentes variantes da gripe tipo A, como H1N1 e H3N2, além de agentes que afetam animais. Apesar da gravidade do caso, a PF informou que todo o material foi recuperado e não há indícios de contaminação externa ou de terrorismo biológico.

A investigação também aponta que câmeras de segurança registraram Michael Miller deixando o laboratório com caixas em horários considerados incomuns, no fim de fevereiro. Outro ponto apurado envolve a suspeita de fraude processual: após uma operação de busca e apreensão na residência do casal, Soledad teria descartado parte do material biológico em um laboratório da universidade, possivelmente para eliminar evidências.

O desaparecimento das amostras foi percebido inicialmente em 13 de fevereiro, mas a Polícia Federal só foi acionada pela Unicamp em 16 de março. O inquérito foi instaurado oficialmente no dia 20 do mesmo mês e segue sob sigilo.Paralelamente à investigação criminal, o Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para apurar se houve falhas no controle e fiscalização de material biológico sensível dentro da universidade. Segundo o órgão, o objetivo é "apurar a regularidade do acondicionamento, controle e fiscalização de material biológico sensível no âmbito da instituição, bem como a eventual existência de falhas estruturais ou procedimentais que tenham contribuído para o desaparecimento das amostras, com potencial repercussão sobre a saúde pública".

A Unicamp informou, em nota, que ainda não foi formalmente notificada pelo MPF, mas que irá responder assim que isso ocorrer. A universidade também sustenta que o episódio foi um “caso isolado” e destacou que acionou rapidamente as autoridades, o que permitiu a recuperação dos materiais."Laboratórios NB-3 operam em conformidade com protocolos rígidos de segurança. O episódio ocorrido foi um caso isolado, resultante de circunstâncias atípicas que estão sendo averiguadas no âmbito da investigação policial", afirmou a instituição.

A universidade também ressaltou que não havia organismos geneticamente modificados entre as amostras e reiterou seu compromisso com a segurança e a excelência científica. Internamente, foi aberta uma sindicância para apurar responsabilidades administrativas.No campo jurídico, Soledad responde ao processo em liberdade, sob restrições como a proibição de acessar os laboratórios envolvidos. Sua defesa afirma que não houve furto, alegando que a pesquisadora utilizava as estruturas do Instituto de Biologia por falta de espaço adequado para suas pesquisas. Já a defesa de Michael Miller não foi localizada até a última atualização.

O caso segue em investigação e levanta discussões sobre segurança em laboratórios de alta contenção, além de possíveis lacunas nos protocolos de controle de materiais sensíveis em instituições de pesquisa no país.

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