Governo avalia demolição de ponte no interior de São Paulo após morte de jovem em salto de rope jump
Tragédia com Maria Eduarda Rodrigues de Freitas mobiliza União e municípios para bloqueio definitivo de estrutura desativada
247 - O Governo Federal estuda a demolição da Ponte do Esqueleto, uma estrutura desativada localizada na divisa entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo. A medida extrema passou a ser cogitada após a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ocorrida no último sábado (13). Ela despencou de uma altura de aproximadamente 40 metros após ser lançada para a prática de rope jump — uma modalidade de salto livre com cordas — sem que o equipamento de segurança essencial estivesse acoplado ao seu corpo. Três funcionários da empresa responsável pelo evento foram presos em flagrante.
De acordo com informações da CNN Brasil, a gravidade do episódio mobilizou uma articulação emergencial entre diferentes esferas do poder público. Nesta segunda-feira (15), representantes do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), por meio da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), e da Advocacia-Geral da União (AGU) reuniram-se com a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad, e com o prefeito de Limeira, Murilo Felix. O encontro teve como objetivo central traçar estratégias integradas para impedir o acesso de pedestres e esportistas ao local, além de debater o destino da estrutura de concreto.
Durante as deliberações, os prefeitos de ambas as cidades se posicionaram favoravelmente à demolição completa da estrutura. Como ações imediatas de contenção, a prefeitura de Cordeirópolis e a SPU fecharam um acordo para reforçar o monitoramento nos arredores da ponte. Já a administração de Limeira assumiu o compromisso de reabrir uma vala profunda que funcionava como barreira física para veículos e pedestres; o bloqueio havia sido aterrado recentemente por terceiros sem a autorização ou o conhecimento do município. Complementarmente, a SPU de São Paulo instalará novas defesas físicas e placas de sinalização ostensivas para alertar que a área pertence à União e que a invasão é estritamente proibida.
A gestão da Ponte do Esqueleto foi oficialmente transferida para o Patrimônio da União em maio deste ano e, segundo notas oficiais da SPU, nenhuma autorização para fins esportivos ou turísticos jamais foi emitida para o local. Antes do acidente e da reunião de emergência, a prefeitura de Limeira havia anunciado a intenção de processar o Governo Federal por omissão, alegando que a fiscalização e a manutenção do espaço eram de responsabilidade exclusiva dos órgãos federais. O município afirma que vinha enviando ofícios formais à União desde 2025 cobrando intervenções urgentes de segurança devido ao histórico de risco da área.
O inquérito policial detalha que a tragédia ocorreu na manhã de sábado, quando a empresa organizadora falhou em realizar a checagem básica e não fixou as cordas guias em Maria Eduarda antes do arremesso. Testemunhas e presentes tentaram realizar manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), mas a jovem faleceu na base da estrutura devido a um quadro severo de politraumatismo. Na chegada da Polícia Militar, dois funcionários tentaram fugir a pé em direção a uma área de mata fechada, o que exigiu um cerco policial terrestre com o suporte de um helicóptero da corporação para localizá-los e prendê-los.
A Polícia Civil do Estado de São Paulo tipificou a conduta dos três operadores presos como homicídio com dolo eventual, argumentando que os responsáveis assumiram expressamente o risco de causar a morte ao negligenciarem os protocolos de segurança em um local que já acumulava um histórico conhecido de acidentes graves e óbitos anteriores. Os investigados passaram por audiência de custódia no domingo (14) e permanecem à disposição do Poder Judiciário enquanto as investigações prosseguem para determinar as responsabilidades técnicas e administrativas da empresa organizadora.

