Julgamento do caso Henry Borel: ex de Jairinho faz graves acusações citando estupro
Com os relatos apresentados no quarto dia de júri, a acusação reforçou a linha de que o ex-vereador teria um padrão de violência contra mulheres e crianças
247 - O quarto dia de julgamento do caso Henry Borel foi marcado por novos depoimentos contra o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Uma ex-namorada do réu relatou ao 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ter sido vítima de estupro, agressões físicas e ameaças durante o relacionamento.
As informações são do Metrópoles. A testemunha Débora Mello Saraiva prestou depoimento na tarde desta quinta-feira (28), após outras duas mulheres, uma ex-namorada de Jairinho e a filha dela, também terem sido ouvidas no processo.
Débora afirmou que se relacionou com o ex-vereador entre 2014 e 2020, em uma relação marcada por idas e vindas. Segundo ela, o contato com Jairinho começou na Câmara Municipal do Rio, em 2014, quando trabalhava como assessora de uma vereadora.
A pedido da testemunha, Jairinho deixou o plenário durante o depoimento. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e também ré no processo, permaneceu no local durante a oitiva.
O advogado Fabiano Lopes, responsável pela defesa de Jairinho, voltou a acompanhar o júri depois de ter se ausentado em razão de um infarto sofrido no último sábado (23).
Durante o depoimento, Débora relatou que o filho dela teria contado, em 2021, que também foi agredido por Jairinho. Segundo a testemunha, a revelação ocorreu depois que a criança assistiu a uma reportagem sobre a morte de Henry Borel.
“Ele veio pra mim e falou: ‘Mamãe, você sabe o que o Jairinho fez comigo?’. Ele disse que Jairinho tinha pisado na barriguinha dele e ficou rindo”, afirmou Débora no tribunal.
A testemunha disse ainda que o filho descreveu outras agressões atribuídas ao ex-vereador. “Ele botou papel e pano na boca dele para que não gritasse. Pisou na barriga dele e ficou rindo”, relatou.
De acordo com Débora, a criança também afirmou que Jairinho a colocou dentro de um carro, pôs um saco em sua cabeça e dirigiu pelo estacionamento. O relato foi apresentado ao júri como parte das acusações que envolvem o comportamento do réu em relações anteriores.
A ex-namorada também acusou Jairinho de estupro. Ela afirmou que, em um dos episódios, estava em casa com os filhos e teria sido dopada pelo ex-vereador.
“Ele me dopou nesse dia. Foi o mesmo dia que ele me estuprou. Eu acordei com dor. Ele riu, admitiu, e disse que eu gritei igual a uma cachorra”, declarou.
Emocionada, Débora contou que o filho tentou acordá-la no dia do episódio, mas não conseguiu. “O meu filho disse: ‘Eu consegui sair e eu te sacudi. Só que você não respondia’”, relatou.
A testemunha também mencionou um episódio anterior envolvendo uma fratura grave no fêmur do filho. Segundo ela, a criança se machucou após participar de uma festa apenas com Jairinho.
Débora afirmou que, na ocasião, o então vereador disse que o menino havia se ferido ao descer do carro. Exames, no entanto, teriam apontado uma fratura grave, que obrigou a criança a passar meses engessada.
Ao longo do depoimento, a ex-namorada descreveu uma rotina de violência no relacionamento. Ela afirmou ter sido alvo de agressões físicas, enforcamento, mordidas e ameaças.
“Ele virou e me deu um chute, que quebrou um dos dedos do meu pé. Em outra briga, ele foi atrás, me pegou pelo pescoço e foi me arrastando. Enquanto ele me arrastava pelo jardim, ele me deu três mordidas na cabeça”, disse.
Débora afirmou ainda que temia ser morta durante as agressões. “Quando eu falei que ele iria me matar, ele parou e disse para irmos dormir”, relembrou.
Segundo a testemunha, Jairinho agia normalmente depois dos episódios de violência. “Tinha medo dele”, afirmou.
Antes de Débora, a estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, também prestou depoimento ao júri. Ela reafirmou ter sofrido agressões físicas de Jairinho durante a infância.
Kaylane contou que conheceu o ex-vereador aos 3 anos de idade, quando sua mãe, Natasha de Oliveira Machado, iniciou um relacionamento com ele. Segundo a estudante, as agressões ocorreram do meio para o fim da relação, que durou cerca de sete anos.
Natasha também foi ouvida no julgamento. Ela afirmou que Jairinho foi seu primeiro relacionamento depois da separação do pai de Kaylane e disse que só tomou conhecimento das agressões sofridas pela filha após o fim da relação.
A ex-namorada declarou ainda que o medo da influência política de Jairinho e de seu pai, o Coronel Jairo, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, a impediu de denunciar o caso anteriormente.
Jairinho e Monique Medeiros são réus pela morte de Henry Borel, menino de 4 anos que morreu em março de 2021. O caso teve grande repercussão nacional e levou à prisão dos dois acusados.
No processo, Monique é acusada de envolvimento na morte do filho, enquanto Jairinho é apontado como responsável pelas agressões que teriam resultado no óbito da criança. Ambos respondem perante o Tribunal do Júri.
O julgamento busca esclarecer as circunstâncias da morte de Henry e avaliar a responsabilidade dos réus. Os depoimentos de ex-companheiras e familiares têm sido usados para reconstruir o histórico de comportamento atribuído a Jairinho em relações anteriores.
Com os relatos apresentados no quarto dia de júri, a acusação reforçou a linha de que o ex-vereador teria um padrão de violência contra mulheres e crianças. A defesa acompanha os depoimentos e poderá contestar as acusações ao longo do julgamento.



