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Pai de Henry Borel revela nova suspeita de agressão contra criança atribuída a Jairinho

Leniel Borel afirma que episódio nunca investigado será apresentado no júri; acusação quer reforçar histórico de violência do ex-vereador

Jairinho (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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247 - O pai de Henry Borel, Leniel Borel de Almeida Junior, afirmou nesta segunda-feira (25) que pretende apresentar, durante o julgamento sobre a morte do filho, uma nova suspeita de agressão atribuída ao ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a declaração foi dada antes da retomada do julgamento no 2º Tribunal do Júri da Capital, no centro do Rio de Janeiro.

Jairinho e Monique Medeiros Costa e Silva, mãe de Henry, começaram a ser julgados nesta segunda-feira (25) pela morte do menino, ocorrida em março de 2021. Segundo Leniel, o episódio envolveria outra criança e não teria sido investigado anteriormente. Ele afirmou que aguardou anos para tratar do assunto durante o julgamento.

"Vocês sabiam que tem mais um outro caso que não apareceu, que não foi investigado, que o Jairo queimou uma menina e a mãe não falou? Mas eu aguardei cinco anos para estar aqui. Eu aguardei cinco anos segurando a estratégia porque eu não poderia falar", declarou.

Ainda de acordo com Leniel, a assistência de acusação pretende utilizar o júri para apresentar episódios que, segundo ele, ajudam a traçar o perfil de Jairinho na relação com crianças. O julgamento contará com o depoimento de 27 testemunhas, além da participação de sete jurados, representantes da Promotoria e advogados de defesa.

A expectativa é de que a sessão se estenda por vários dias, com apresentação de laudos periciais, depoimentos e debates entre acusação e defesa. A Promotoria sustenta que não há dúvidas sobre a autoria dos crimes atribuídos aos réus. Jairinho e Monique negam as acusações.

Episódios investigados

A investigação aponta que Henry Borel teria sofrido ao menos três episódios de agressão antes da morte. Parte das informações reunidas pela polícia teve como base mensagens trocadas entre a babá do menino e o então noivo dela.

Em depoimento, a babá relatou que Henry demonstrava medo de ficar sozinho com Jairinho. Segundo o delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP da Barra da Tijuca, a criança teria se agarrado à funcionária e rasgado a roupa dela ao tentar evitar entrar em um quarto com o padrasto.

Outro episódio investigado ocorreu em fevereiro de 2021. De acordo com mensagens relatadas pela babá, Jairinho teria se trancado com Henry no quarto enquanto o menino repetia "eu prometo". Para os investigadores, o caso reforça a suspeita de ameaças para impedir que a criança relatasse agressões à mãe.

Ainda segundo a investigação, em 12 de fevereiro daquele ano, Henry saiu mancando de um quarto após permanecer sozinho com Jairinho. Depois de uma videochamada com Monique, na qual teria mencionado agressões, o ex-vereador voltou exaltado ao apartamento e questionou o menino sobre o que havia dito.

A babá afirmou que Henry confirmou ter sido agredido. Em seguida, Monique deixou o apartamento com a criança e a funcionária por algumas horas. Depois, retornou ao imóvel e saiu novamente com malas. Segundo o relato, Monique disse que iria para a casa dos pais, em Bangu, mas, no dia seguinte, foi vista nas redes sociais em Mangaratiba ao lado de Jairinho.

Jairinho responde por homicídio qualificado por meio cruel e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com agravante pelo fato de Henry ter menos de 14 anos. Ele também é acusado de três episódios de tortura e de coação no curso do processo. Monique responde por homicídio qualificado por omissão, com as qualificadoras de motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima, além de tortura e coação.

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