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Defesa de Monique Medeiros cita gato da ré em nova movimentação na Justiça

Monique retornou ao sistema prisional após o Supremo Tribunal Federal restabelecer sua prisão preventiva

Monique Medeiros deixa o Instituto Penal Santo Expedito, em Bangu (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

247 - A defesa de Monique Medeiros pretende solicitar que o gato Hércules, adotado durante o período em que esteve presa, possa permanecer com ela na penitenciária Talavera Bruce, no Rio de Janeiro. A informação foi publicada pelo jornal O Globo. Caso o pedido seja negado pela administração da unidade, os advogados afirmam que irão recorrer à Justiça.

Monique retornou ao sistema prisional após o Supremo Tribunal Federal restabelecer sua prisão preventiva. Ela é ré por homicídio por omissão na morte do filho, Henry Borel, em um caso que teve grande repercussão nacional.

Segundo a defesa, o vínculo com o animal tem impacto direto no estado emocional da detenta. “Para ela, a importância dele é total, porque ela fica 24 horas trancada, numa cela extremamente quente e fechada. Um animal exalando afeto, diante desse cenário de extrema solidão, é algo de grande necessidade”, afirmou o advogado Hugo Morais.

O gato, batizado de Hércules, tem mais de três anos e teria se aproximado de Monique ainda durante sua primeira passagem pelo sistema prisional. De acordo com relatos, o animal passou a acompanhá-la com frequência na cela, chegando a dormir na mesma cama. Após a soltura temporária da acusada, em março, o gato foi levado para sua residência.

De volta à penitenciária Talavera Bruce, localizada no complexo de Bangu, Zona Oeste do Rio, Monique está em cela individual, medida justificada pela defesa devido a “constantes ameaças sofridas no cárcere”. Ainda assim, segundo seus advogados, ela segue submetida à mesma rotina das demais detentas.De acordo com a Secretaria de Polícia Penal, as internas devem estar acordadas entre 7h e 7h30, com refeições distribuídas ao longo do dia — café da manhã, almoço, lanche e jantar —, ainda que os horários possam variar devido à logística da unidade. “Por conta da rotina da unidade prisional, as refeições podem acontecer em horários completamente distintos dos nossos. Por volta das 10h, por exemplo, começam a distribuir o almoço, porque não tem como entregar para todo mundo ao meio-dia. Às 16h, Monique recebe o jantar e costuma guardar para comer mais tarde. Como ela não está em prisão especial, apesar de estar em uma cela sozinha, é tratada como todas as outras”, explicou Hugo Morais.

A prisão preventiva foi restabelecida por decisão do ministro Gilmar Mendes, que apontou riscos como possível coação de testemunhas. Monique se entregou à polícia e passou pelos trâmites legais, incluindo exame de corpo de delito e audiência de custódia, antes de ser encaminhada à unidade prisional.

O julgamento do caso está marcado para o dia 25 de maio. Além de Monique, também responde ao processo o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, apontado como autor das agressões que resultaram na morte da criança. Ele é acusado de homicídio qualificado, tortura e coação, enquanto Monique responde por homicídio por omissão qualificado, tortura e coação.

Em defesa da cliente, o advogado também fez declarações sobre o desfecho esperado do processo: “Nós, ela e os familiares temos a certeza de que será feita justiça. E justiça, neste caso, é a condenação de Jairo, o algoz do pequeno Henry, que dormia ao seu lado, bem como a absolvição de Monique, que foi a melhor mãe que seu filho poderia ter. Quanto à sentença, ela já recebeu a pior, que é a de morte, morte de seu filho, com quem ela foi enterrada junto. Mas parece que a sociedade, por conta de um machismo estrutural, não vê isso”.

O caso Henry Borel, ocorrido em 2021, segue como um dos mais emblemáticos do país, e continua mobilizando atenção pública enquanto se aproxima a data do julgamento.

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