MP-SP aciona influenciador Leonardo Marcondes por fala contra voto de pobres
A ação civil pública também cobra indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social
247 - O Ministério Público de São Paulo acionou o influenciador Leonardo Marcondes por falas contra o voto de pessoas pobres e pediu à Justiça a retirada de seu perfil do Instagram, que reúne mais de 1,4 milhão de seguidores. Segundo reportagem publicada nesta segunda-feira (26) no Portal G1, a ação civil pública também cobra indenização de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social.
A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital paulista acusa Marcondes de promover conteúdo discriminatório contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. O caso envolve publicações nas redes sociais em que o coach e empresário defendeu que pobres não deveriam participar das eleições.
A ação classifica as declarações como aporofobia, termo usado para definir aversão, desprezo ou rejeição a pessoas pobres. Para o Ministério Público, o conteúdo ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao atacar um grupo social e estimular sua exclusão da vida política.
O processo pede que a Justiça determine a remoção do vídeo apontado como origem da ação e também tire do ar todo o perfil do influenciador no Instagram. A Promotoria ainda quer impedir novas publicações com conteúdo discriminatório contra pessoas pobres.
A ação cita um vídeo em que Leonardo Marcondes questiona o direito de voto da população pobre. “Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país”, declarou Marcondes na internet.
Em outro trecho reproduzido pelo Ministério Público, o influenciador associa pobreza à incapacidade de tomar decisões políticas: “Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também”, disse.
Para os promotores, a fala não representa um episódio isolado. A ação afirma que outros vídeos divulgados nas redes sociais apresentam ataques semelhantes contra pessoas pobres. Entre os exemplos citados no processo, aparecem trechos em que Marcondes teria dito que pobres “não deveriam ter o direito de transar” e que “pobre não gosta de trabalhar no feriado porque é preguiçoso”.
O Ministério Público sustenta que a página do influenciador reproduz discurso de ódio contra uma parcela da população e tenta afastar pessoas pobres da participação política. A Promotoria também afirma que a permanência dos vídeos nas redes amplia os danos, pois permite novas visualizações, compartilhamentos e reproduções do conteúdo.
O pedido de indenização de R$ 300 mil tem, segundo a ação, caráter repressivo, pedagógico e preventivo. O objetivo declarado pelos promotores é desestimular novas condutas semelhantes e reparar danos coletivos causados por publicações consideradas discriminatórias.
A Promotoria também questiona a atuação profissional de Leonardo Marcondes nas redes sociais. O documento afirma que ele usa seus perfis para divulgar cursos, palestras, mentorias e treinamentos, embora tenha declarado ao próprio Ministério Público que não concluiu formação superior.
Na ação, os promotores reproduzem um trecho da oitiva em que o influenciador afirma: “Eu não sou formado. Eu fiz 8 semestres de administração em 8 faculdades diferentes”.
Para o Ministério Público, Marcondes não possui qualificação profissional adequada para oferecer esse tipo de conteúdo e utiliza discursos de forte apelo nas redes para atrair público pagante.
Leonardo Marcondes, também conhecido como Léo Marcondes, se apresenta nas redes sociais como treinador financeiro. Ele atua como coach, palestrante e empresário, com conteúdo voltado a desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e educação financeira.
Em sua apresentação oficial, o influenciador afirma que foi atleta profissional de vôlei e que fundou a Escola NPAC, empresa que vende cursos, mentorias, eventos e treinamentos voltados à chamada “liberdade financeira”.
A Justiça paulista analisará os pedidos do Ministério Público, incluindo a tutela de urgência para remoção imediata das publicações e do perfil. O processo também deve avaliar a responsabilidade civil do influenciador pelas falas apontadas como discriminatórias contra pessoas pobres.



