MPF manda PF abrir inquérito sobre deputada por blackface
Investigação envolve parlamentar após episódio de blackface no plenário e apura possíveis crimes como racismo e discriminação
247 - O Ministério Público Federal (MPF) determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) após episódio de blackface no plenário, caso que levanta suspeitas de racismo e outras formas de discriminação. A investigação busca apurar responsabilidades penais decorrentes da conduta da parlamentar em sessão legislativa.
A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que revelou a decisão do MPF de encaminhar o caso à Polícia Federal para investigação formal. A medida amplia o alcance das apurações, que já vinham sendo conduzidas em outras esferas institucionais.
O episódio que motivou a investigação ocorreu durante sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), quando a deputada utilizou maquiagem escura no rosto e em partes do corpo ao discursar. A atitude foi apresentada por ela como um “experimento social”, mas gerou forte reação entre parlamentares e entidades da sociedade civil.
Durante o discurso, a parlamentar afirmou: “Eu sou branca e, mesmo me pintando de negra, eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo por não saber na essência o que elas passaram”. Na mesma fala, ela também fez críticas à participação de uma mulher trans na política, o que ampliou a repercussão do caso.
A prática conhecida como blackface é historicamente associada à ridicularização da população negra e é considerada por especialistas e instituições uma manifestação de racismo. O caso passou a ser investigado sob suspeitas de racismo, transfobia, misoginia e possível violação de direitos humanos .
A iniciativa do MPF ocorre após representações encaminhadas por parlamentares e lideranças políticas, incluindo a deputada federal Erika Hilton (PSOL), que foi alvo das críticas durante o discurso. O envio do caso à Polícia Federal indica a possibilidade de responsabilização criminal, além de eventuais sanções administrativas.
Em resposta às acusações, a deputada negou irregularidades e afirmou que não realizou blackface. Em manifestação pública, declarou que as críticas fazem parte de uma tentativa de distorcer seu posicionamento político e impedir o debate.
Paralelamente, o caso também é analisado no âmbito do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa, onde parlamentares de diferentes partidos pediram apuração por quebra de decoro. Dependendo do resultado, a investigação pode levar a sanções que vão desde advertência até a perda de mandato.
O avanço das apurações em diferentes instâncias — administrativa, civil e criminal — reforça a gravidade atribuída ao episódio e amplia a pressão institucional sobre a parlamentar. A abertura do inquérito pela Polícia Federal deve aprofundar a coleta de provas e depoimentos sobre o caso.


