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Nível do Sistema Cantareira segue em queda na Grande São Paulo

Principal reservatório paulista recua após verão seco e baixa chuva agrava situação hídrica

Nível do Sistema Cantareira segue em queda na Grande São Paulo (Foto: Divulgação/Sabesp)

247 - O nível do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água da Grande São Paulo, continua em queda após encerrar o verão com o pior índice em uma década. A redução ocorre em meio a um cenário de chuvas abaixo da média e já afeta também o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne outros mananciais responsáveis pelo fornecimento de água na região.

De acordo com dados divulgados pela Sabesp e reportados pela Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (30), o Cantareira operava com 42,5% de sua capacidade, contra 43,8% registrados em 9 de abril, uma queda de 1,3 ponto percentual em três semanas. No mesmo período, o SIM recuou de 56,5% para 54,5%, indicando tendência de diminuição generalizada nos reservatórios.

A redução dos níveis está diretamente relacionada ao baixo volume de chuvas nos primeiros meses do ano. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação do Mirante de Santana registrou 598,9 milímetros de precipitação entre janeiro e abril, bem abaixo da média histórica de 865,9 milímetros para o período. Sobre os reservatórios do Cantareira, o acumulado foi de 58,3 milímetros, inferior aos 80 milímetros esperados apenas para abril.

Nos últimos cinco anos, apenas 2023 apresentou volume de chuva acima da média na capital paulista, com 985,9 milímetros. Já 2026 aparece como o único ano do período com precipitação inferior a 600 milímetros, o que reforça o impacto do clima seco na recuperação dos mananciais.

Mesmo com a passagem de uma frente fria recente pelo litoral paulista, as chuvas registradas foram insuficientes para alterar o quadro. A previsão para os próximos cinco meses, até o início da primavera, é de apenas 290 milímetros de chuva. Ainda que esse volume supere o registrado no mesmo período do ano passado, quando choveu 183,4 milímetros, especialistas apontam que não será suficiente para recompor os níveis dos reservatórios.

Desde a crise hídrica de 2014-2015, medidas estruturais vêm sendo adotadas para aumentar a segurança no abastecimento. A Sabesp investiu na integração entre sistemas produtores, ampliando a capacidade de transferência de água entre regiões e modernizando redes para reduzir perdas.

Outra estratégia implementada foi a redução da pressão da água na rede de distribuição durante a noite, determinada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). A medida, em vigor desde agosto, ocorre entre 19h e 5h e foi mantida mesmo após uma leve recuperação dos reservatórios em março, diante da proximidade do período seco.

Segundo a Sabesp, a redução de pressão permitiu economizar 126,46 bilhões de litros de água entre 27 de agosto e o fim de março. O volume poupado equivale ao consumo mensal de aproximadamente 22,18 milhões de pessoas, contribuindo para desacelerar a queda dos níveis dos mananciais.

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