Governo de Minas inicia seleção de investidor para privatização da Copasa
A nova etapa prevê a escolha de um investidor de referência, que poderá adquirir até 30% das ações da empresa
247 - O governo de Minas Gerais avançou na privatização da Copasa ao iniciar a seleção de um investidor estratégico, em uma operação que pode movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões e redefinir o controle da companhia de saneamento no estado.
A nova etapa prevê a escolha de um investidor de referência, que poderá adquirir até 30% das ações da empresa. O período de cadastramento começa nesta sexta-feira (24) e segue até 8 de maio, com condução da B3 e participação restrita a investidores profissionais, individualmente ou em consórcios.
Modelo segue exemplo da Sabesp
O formato adotado pelo governo mineiro repete a estrutura aplicada na desestatização da Sabesp, em São Paulo, baseada na entrada de um sócio estratégico com influência direta na gestão.
Para participar da disputa, os interessados deverão cumprir exigências rigorosas, incluindo comprovação de experiência em projetos de infraestrutura com investimentos mínimos de R$ 6,3 bilhões, além de garantias financeiras de pelo menos R$ 7 bilhões.
Na etapa seguinte, os candidatos habilitados apresentarão propostas com os valores que pretendem pagar pela participação na companhia.
Mudança no controle da empresa
Atualmente, a Copasa possui capital misto. O governo de Minas detém 50,3% das ações, mantendo o controle da empresa, enquanto 49,7% já estão nas mãos de investidores privados, com papéis negociados na bolsa.
O plano do Executivo estadual é dividir sua participação em três partes, o que altera a estrutura de controle da companhia. Cerca de 30% serão vendidos ao investidor de referência, 15% serão ofertados ao mercado e até 5% permanecerão com o governo, acompanhados de uma “golden share”, que garante poder de veto em decisões estratégicas.
Com essa reconfiguração, o estado deixará de ser o acionista controlador da Copasa.
Processo ainda depende de aval
Apesar do avanço, a privatização ainda não está concluída. O processo depende de decisão final do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que já autorizou as etapas iniciais, mas determinou que a conclusão ocorra somente após análise definitiva.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Copasa informou que a decisão do tribunal não impede o andamento da oferta, mas condiciona o desfecho à manifestação final do órgão.
Impactos ainda são incertos
A venda da Copasa é considerada uma das principais iniciativas do governo mineiro para atrair investimentos e reduzir a presença estatal em empresas estratégicas.
Para a população, no entanto, os efeitos da privatização ainda são incertos e dependerão das regras que serão definidas após a operação, especialmente em relação a tarifas, expansão dos serviços e qualidade do abastecimento de água e esgoto no estado.

