Novas revelações da babá de Henry Borel marcam julgamento
Thayná contou que trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry vivia com Monique e Jairinho, entre o fim de janeiro e o início de março de 2021
247 - A babá Thayná de Oliveira Ferreira afirmou, neste domingo, durante o julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, que pretende se retratar de versões apresentadas anteriormente sobre o caso. Em depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, ela relatou episódios que classificou como suspeitos e disse ter recebido orientação para apagar mensagens após a morte do menino.
As informações são de O Globo. Uma das testemunhas mais aguardadas do júri, Thayná foi inicialmente ouvida como informante porque responde a processo por falso testemunho em razão das versões diferentes dadas ao longo da investigação.
Segundo a ex-babá, a orientação para apagar mensagens teria partido de Monique depois da morte de Henry. “Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa”, disse Thayná, ao atribuir a fala à mãe do menino.
Thayná contou que trabalhou por cerca de um mês na casa onde Henry vivia com Monique e Jairinho, entre o fim de janeiro e o início de março de 2021. Ao ser questionada pela magistrada, ela descreveu três episódios que teriam despertado desconfiança sobre a relação entre o então vereador e a criança.
O primeiro episódio teria ocorrido poucos dias depois de a babá começar a trabalhar no apartamento do condomínio Majestic, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. De acordo com o relato, Henry acordou chamando pela mãe, que havia saído para jogar futebol. Jairinho teria dito que o menino era “mimado” e o levado para o quarto do casal para uma conversa.
Segundo Thayná, Henry permaneceu aproximadamente meia hora no quarto e saiu “amuadinho”, sem explicar o que havia acontecido. Mais tarde, na brinquedoteca do condomínio, a criança teria reclamado de dores no joelho e demonstrado falta de interesse em brincar com outras crianças.
O segundo episódio relatado pela babá teria ocorrido dias depois, quando Monique estava em um salão de beleza. Thayná afirmou que Jairinho chegou ao apartamento em um horário incomum, chamou Henry para o quarto do casal e fechou a porta.
A babá disse que, desconfiada, começou a trocar mensagens com Monique enquanto tentava entender o que acontecia dentro do cômodo. “Ela pedia para eu ficar vendo o que estava acontecendo, tentando escutar alguma coisa. Mandava eu bater, chamar, tentar ouvir”, contou.
De acordo com Thayná, Henry saiu mancando do quarto. Ela afirmou ter gravado um vídeo e enviado a Monique. Durante o banho, o menino teria reclamado de dores na cabeça e relatado que havia levado uma “banda” e caído da cama.
A ex-babá também descreveu a reação de Henry quando Jairinho tentou pegá-lo no colo após o episódio. “Ele não queria sair do meu colo. Puxou a minha blusa e rasgou”, afirmou.
Thayná disse ainda que recebeu R$ 100 de Jairinho para comprar outra roupa, mas declarou ter interpretado o gesto de outra forma. “Aquilo não era para comprar uma blusa. Era para comprar o meu silêncio”, afirmou.
No depoimento, a ex-babá também relatou incômodo com a reação de Monique ao chegar ao apartamento horas depois. Segundo ela, a mãe de Henry teria comentado que havia borrado a unha ao voltar para casa. “Eu estava passando por uma situação de nervosismo com aquela criança e ela veio preocupada porque tinha borrado a unha. Isso me deixou mais nervosa ainda”, disse.
Outro ponto abordado no júri foi o período imediatamente posterior à morte de Henry. Thayná afirmou que ela e a empregada foram levadas por Monique e por uma assessora de Jairinho a um escritório de advocacia, onde teriam recebido orientações sobre o que dizer publicamente.
A babá declarou que foi pressionada a apagar mensagens do celular e a sustentar que a convivência entre os integrantes da família era harmoniosa. Ela também afirmou que um advogado insistiu para que falasse com jornalistas em defesa do casal.
“A senhora não vai querer incriminar eles, né? Eles são gente boa”, disse Thayná, reproduzindo a fala que atribuiu ao profissional.
Segundo a ex-babá, ela não queria conceder entrevistas, mas acabou cedendo à pressão. “Eles ficaram me forçando para eu poder dar essa entrevista. E foi exatamente o que eu fiz”, declarou.
O depoimento de Thayná era considerado um dos mais importantes do julgamento porque ela apresentou versões distintas ao longo da investigação. Inicialmente, afirmou não ter presenciado situações anormais na família. Depois, passou a relatar episódios de agressão e mensagens enviadas a Monique em tempo real sobre comportamentos de Jairinho em relação a Henry.
Após ser ouvida pela juíza na condição de informante, Thayná passou a responder a perguntas das partes no plenário. O julgamento de Jairinho e Monique segue no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.



