Novo temporal agrava tragédia em Juiz de Fora e eleva mortes para 53
Segundo o balanço mais recente, são 47 mortes confirmadas em Juiz de Fora e outras seis na cidade vizinha de Ubá
247 - As fortes chuvas que voltaram a atingir Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, entre a noite de quarta-feira (25) e a madrugada desta quinta-feira (26), agravaram o cenário de destruição provocado pelos temporais da semana e elevaram para 53 o número total de mortes na região. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com dados das equipes de resgate e autoridades estaduais.
Segundo o balanço mais recente, são 47 mortes confirmadas em Juiz de Fora e outras seis na cidade vizinha de Ubá. Equipes do Corpo de Bombeiros continuam atuando nas áreas afetadas, onde ainda há desaparecidos e risco elevado de novos deslizamentos.
Durante o novo temporal, os bombeiros registraram ao menos oito desabamentos de casas e edificações. Doze pessoas foram resgatadas com vida, a maioria em imóveis que já estavam interditados após os primeiros deslizamentos ocorridos no início da semana.
O avanço das águas também provocou o transbordamento do Rio Paraibuna, que atingiu quatro metros de altura, alcançando sua cota máxima. Com isso, novas ruas foram interditadas, principalmente na região do bairro Graminha, considerada uma das áreas mais vulneráveis.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que apenas na quarta-feira choveu 113 milímetros na cidade. O acumulado de fevereiro chegou a 733 milímetros — volume equivalente a 4,3 vezes a média histórica prevista para todo o mês.
Em pronunciamento oficial, o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Rezende, alertou para o risco contínuo e criticou o retorno de moradores às áreas interditadas poucos dias após o primeiro desastre.
— "Ainda há previsão de mais chuva. Quem está em área de risco, e sabe que está em área de risco, deve sair imediatamente. Temos relatos de pessoas que já haviam deixado esses locais e estão retornando. Não façam isso. Priorizem suas vidas" — afirmou.
A resistência de parte da população em abandonar as residências tem preocupado as autoridades. No bairro Três Moinhos, praticamente evacuado desde terça-feira, um casal de idosos precisou ser retirado de casa após vizinhos acionarem a polícia. Inicialmente, eles se recusaram a sair, mas acabaram convencidos pelos agentes de segurança.
Moradores relatam um cenário de medo e abandono em algumas regiões da cidade. Ruas antes movimentadas permanecem vazias, com equipes da Defesa Civil e da polícia circulando com megafones para orientar a população.
— "O pessoal aqui é muito teimoso, e tem gente que voltou para casa" — relatou Maria Aparecida, de 69 anos, moradora do bairro Vitorino Braga. — "Com 19 anos eu vim para cá, e nunca tinha visto uma chuva assim."
Desde o início da operação de emergência, mais de 230 vítimas foram resgatadas com vida. Apesar disso, os bombeiros informam que ao menos 18 pessoas seguem desaparecidas sob escombros e áreas de deslizamento.
O impacto social da tragédia também cresce. Segundo dados oficiais, 2.593 pessoas ficaram desalojadas nas cidades atingidas: 583 em Juiz de Fora, 1.200 em Ubá e 810 em Matias Barbosa. A prefeitura mantém abrigos emergenciais enquanto equipes continuam monitorando encostas e regiões com risco iminente.
As autoridades reforçam que a previsão meteorológica ainda indica possibilidade de novas chuvas nos próximos dias, mantendo o estado de alerta máximo em toda a região da Zona da Mata mineira.


