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Pacheco deve se reunir com Lula para tratar de candidatura em Minas e ida ao União Brasil

Senador articula troca do PSD pelo União Brasil e avalia disputar o governo mineiro, em movimento que pode redesenhar alianças para 2026

Lula e Rodrigo Pacheco (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), possivelmente na próxima semana, para discutir a viabilidade de uma candidatura ao Governo de Minas Gerais e formalizar sua filiação ao União Brasil. O movimento ocorre em meio a articulações políticas que podem alterar o cenário eleitoral no segundo maior colégio eleitoral do país. As informações são da Folha de São Paulo.

Pacheco já acertou a troca de partido e que a mudança deve ocorrer nos próximos dias. A filiação teria sido intermediada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado próximo do senador mineiro.

Mudança partidária pode redefinir o comando do União Brasil em Minas

A ida de Pacheco ao União Brasil já foi comunicada a integrantes da legenda em Minas Gerais e deve provocar mudanças no comando estadual do partido. O atual presidente da sigla no estado, o deputado federal Marcelo Freitas, tende a deixar a legenda e migrar para um partido mais alinhado à direita, com possibilidade de filiação ao PL.

Já o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, deve assumir a presidência do diretório estadual do União Brasil. Paralelamente, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), aparece como cotado para comandar a federação entre União Brasil e PP em Minas.

União Brasil pode abandonar apoio ao vice de Zema

A movimentação também indica que o União Brasil e a federação com o PP devem se afastar da pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões (PSD), que deve assumir o comando do estado em abril, após a renúncia do governador Romeu Zema (Novo), e tentar a reeleição.

Simões é adversário político de Pacheco e sua filiação ao PSD teria acelerado o rompimento do senador com o partido. A avaliação nos bastidores é que o novo cenário dificulta ainda mais a permanência de Pacheco no PSD, ao mesmo tempo em que abre espaço para a construção de uma nova candidatura ao governo estadual.

Romeu Zema, por sua vez, é citado como possível candidato ao Palácio do Planalto, com apoio do vice-governador mineiro.

Encontro com Lula deve discutir estratégias e palanque em Minas

Segundo interlocutores de Pacheco, a reunião com Lula teria como objetivo avaliar como uma eventual candidatura poderia ser estruturada e quais estratégias poderiam ampliar o desempenho eleitoral do senador no estado. O encontro também seria decisivo para discutir a possibilidade de Pacheco se tornar o principal palanque de Lula em Minas Gerais.

Ainda de acordo com aliados, não há confirmação sobre a data do encontro, que pode ocorrer após o Carnaval.

Apesar das tratativas, pessoas próximas ao senador afirmam que ele ainda não decidiu se concorrerá ao governo mineiro, se tentará a reeleição ao Senado ou se ficará fora das eleições. A escolha do partido, porém, é vista como um passo essencial para manter aberta a possibilidade de candidatura, já que decisões desse tipo precisam ser tomadas antes de abril.

Reaproximação entre União Brasil e governo Lula ganha força

O avanço das negociações também ocorre em meio a um processo de reaproximação do União Brasil com o governo federal. Em 2025, o partido chegou a romper com Lula e determinou o afastamento de ministros, mas retomou pontes no fim do ano, após a indicação de Gustavo Feliciano para o Ministério do Turismo — ele é filho do deputado Damião Feliciano (União Brasil-PB).

Aliados de Pacheco consideram possível que o senador construa uma aliança com Lula em Minas, mesmo diante de setores do União Brasil que fazem oposição ao presidente.

Além disso, a atuação de Davi Alcolumbre na articulação é interpretada como sinal de aproximação política entre o presidente do Senado e Lula, após um período de atritos ao longo de 2025.

O texto também destaca que o governador do Amapá, Clécio Luís, aliado de Alcolumbre, filiou-se ao União Brasil no fim de janeiro. A expectativa é que ele atue como apoiador de Lula no estado, reforçando a presença do governo federal em alianças regionais.

Lula insiste em Pacheco como candidato em Minas

Lula tem insistido para que Rodrigo Pacheco aceite disputar o governo mineiro, enquanto o PT considera alternativas diante da indefinição do senador. Pacheco, porém, tem dito a aliados que pretende encerrar sua carreira política ao término do atual mandato, que se encerra em fevereiro do próximo ano.

O senador chegou a ser cogitado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, mas Lula optou por indicar Jorge Messias.

Ainda assim, Lula segue convencido de que Pacheco seria o nome mais competitivo para a disputa estadual e tem elogiado o senador em conversas reservadas, segundo aliados.

PT avalia chapa forte para enfrentar disputa mineira

Nos bastidores, aliados do presidente avaliam que Pacheco poderia liderar uma chapa robusta em Minas, com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos como possíveis nomes ao Senado.

O peso estratégico de Minas Gerais também é destacado nas articulações: o estado possui o segundo maior eleitorado do país, atrás apenas de São Paulo, e historicamente desempenha papel central na definição presidencial. Desde 1945, apenas Getúlio Vargas conseguiu vencer a eleição presidencial mesmo tendo sido derrotado em Minas, em 1950.

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