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Parlamentares de SP enviaram quase R$ 8 milhões em emendas a entidades ligadas a filme sobre Bolsonaro

Investigação apura possíveis irregularidades em repasses destinados a organizações vinculadas à produtora do filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro e Mario Frias (Foto: Carlos Moura/Agência Senado / Marcello Casal JrAgência Brasil)
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247 - Deputados federais, estaduais e vereadores de São Paulo destinaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades associadas à produtora cinematográfica Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). As informações foram reveladas pelo Metrópoles com base em denúncias apresentadas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB) e Henrique Vieira (PSol), além de dados de transparência do governo federal e da Prefeitura de São Paulo.

Na última sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades na destinação dos recursos. O foco da investigação é o conjunto de entidades ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment.

Além da produtora, a investigação cita o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a empresa Conhecer Brasil Assessoria. A apuração busca esclarecer o envio de verbas parlamentares destinadas a projetos ligados a essas organizações, incluindo repasses feitos por políticos do PL, como os ex-deputados federais Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, além dos deputados federais Marcos Pollon, Bia Kicis e Mario Frias.

Segundo a denúncia apresentada por Tabata Amaral, Mario Frias — que também atua como produtor executivo e roteirista de Dark Horse — destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. Desse total, R$ 1 milhão foi enviado para um projeto de “letramento digital” e outro R$ 1 milhão para iniciativas esportivas.

Desde abril, oficiais de Justiça tentam intimar Frias para prestar esclarecimentos sobre os repasses relacionados às entidades ligadas à produtora do longa. A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade na destinação dos recursos.

O levantamento também identificou repasses feitos por parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A deputada estadual Valéria Bolsonaro enviou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para compra de equipamentos. Já o deputado estadual Lucas Bove indicou uma emenda de R$ 213 mil para projetos esportivos da entidade, mas o repasse acabou barrado por questões técnicas.

Outro nome citado é o deputado estadual Gil Diniz, aliado político de Eduardo Bolsonaro. Ele destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para financiar parte da série documental Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende. O mesmo projeto também recebeu uma emenda de R$ 1 milhão enviada por Carla Zambelli.

A denúncia ainda menciona duas emendas parlamentares que somam quase R$ 3,6 milhões, destinadas pelo ex-vereador paulistano Atílio Francisco. Os recursos seriam utilizados em um evento literário gospel e em um evento de dança, segundo informações publicadas anteriormente pelo The Intercept Brasil.

Outros vereadores da capital paulista também tiveram recursos liberados para a Conhecer Brasil. A vereadora Cris Monteiro indicou R$ 100 mil para uma oficina de tecnologia voltada à juventude. Em nota, ela afirmou:

 “A destinação da emenda seguiu análise técnica do projeto, que foi integralmente executado. A vereadora desconhece qualquer vínculo entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora mencionada na reportagem”

Já o vereador André Santos destinou R$ 750 mil para a realização de um congresso de inovação em educação promovido pela entidade.

Lucas Bove também comentou o caso e afirmou que inicialmente recebeu “um projeto que parecia interessante”, mas decidiu redirecionar o recurso posteriormente devido a “questões documentais do proponente”.

A decisão de Flávio Dino ocorre em meio a outra frente de questionamentos envolvendo o financiamento de Dark Horse. Recentemente, veio à tona que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para viabilizar o filme.

Informações preliminares apontam que Vorcaro teria prometido R$ 134 milhões para a produção cinematográfica. Até o momento, porém, documentos disponíveis indicariam transferências de aproximadamente R$ 62 milhões.

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