Polícia Civil apreende adolescente acusado de liderar estupro coletivo no Rio
Investigação aponta jovem de 17 anos como “mente por trás” do crime ocorrido em Copacabana; com apreensão, todos os cinco investigados estão sob custódia
247 - A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu nesta sexta-feira (6) o adolescente de 17 anos apontado como um dos envolvidos no estupro coletivo de uma jovem da mesma idade ocorrido em janeiro, no bairro de Copacabana, zona sul da capital fluminense. Com a apreensão, todos os cinco suspeitos de participação no crime passam a estar sob custódia das autoridades.
De acordo com informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o jovem se apresentou no início da tarde na 54ª Delegacia de Polícia (Belford Roxo), na Baixada Fluminense. O mandado de internação havia sido expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na tarde de quinta-feira (5).
Segundo o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana) e responsável pela investigação, o adolescente teria desempenhado papel central no episódio. Para o investigador, ele foi “a mente por trás” do crime. Conforme depoimentos colhidos pela polícia, o jovem mantinha um relacionamento com a vítima e teria sido responsável por atraí-la até o apartamento onde ocorreu o suposto estupro.
A defesa do adolescente não foi localizada até o momento, e a Polícia Civil não informou se ele já constituiu advogado. Ainda na quinta-feira, após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público e expedir o mandado de internação, agentes realizaram buscas em dois endereços ligados ao jovem — em Copacabana e no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio —, mas ele não foi encontrado.
Antes da apreensão do adolescente, quatro outros investigados já haviam sido presos ou se apresentado à polícia ao longo da semana. Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho foram detidos na terça-feira (3). Já Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti se entregaram na quarta-feira (4), sendo que Bruno Felipe também compareceu à delegacia de Belford Roxo.
Entre as defesas já manifestadas, o advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor Hugo, afirmou que seu cliente é inocente. Segundo ele, o jovem nega ter participado do suposto estupro, embora estivesse no local. A defesa de João Gabriel, conduzida pelo advogado Rafael de Piro, também rejeitou a acusação e questionou declarações da polícia sobre lesões apresentadas pela vítima. As defesas de Mattheus Veríssimo Zoel Martins e Bruno Felipe dos Santos Allegretti não foram localizadas.
Os quatro suspeitos maiores de idade responderão pelo crime de estupro, enquanto o adolescente deverá responder por ato infracional análogo ao mesmo crime. A apreensão do jovem ocorreu após um episódio de tensão entre a Polícia Civil e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Na quarta-feira (4), o delegado Ângelo Lages havia declarado que o pedido de apreensão já havia sido encaminhado e que “só dependia da Justiça”, argumentando que a demora prejudicava o avanço das investigações. Segundo ele, a permanência do adolescente em liberdade poderia comprometer a apuração de outros possíveis crimes.
O delegado também demonstrou preocupação com a possibilidade de destruição de provas, afirmando que havia risco de o jovem apagar dados do celular. Durante a semana em que o caso ganhou repercussão nacional, surgiram ainda relatos de que o adolescente teria feito ameaças e chantagens a familiares da vítima.
Em resposta, o Tribunal de Justiça do Rio divulgou nota na quinta-feira (5) afirmando que houve “sucessivos erros” por parte da Polícia Civil e tentativas de burlar o “princípio do juiz natural”. Segundo o tribunal, falhas processuais — como o envio de inquéritos para a vara errada e pedidos de mandado durante o plantão noturno — poderiam até levar à nulidade do processo.
A Polícia Civil negou irregularidades e afirmou que a distribuição e tramitação dos processos cabem ao próprio sistema do tribunal.
Paralelamente, os investigadores apuram um outro suposto caso de estupro coletivo ocorrido em 2023, que também teria contado com a participação e liderança do mesmo adolescente. Na ocasião, tanto o jovem quanto a vítima tinham 14 anos.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, a dinâmica do crime teria sido semelhante: o adolescente teria atraído a jovem, com quem mantinha relacionamento, para um apartamento onde outros suspeitos já estariam presentes. Nesse inquérito, o nome de Mattheus Veríssimo Zoel Martins também aparece entre os mencionados.
Segundo depoimento da mãe da vítima desse caso anterior, o crime teria sido gravado. A adolescente, no entanto, só revelou o ocorrido à família na segunda-feira (2), após a ampla repercussão do episódio mais recente.
