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“Presa no exercício da profissão”, afirma Deolane Bezerra em audiência de custódia

Alvo de uma operação que apura negócios do PCC, influenciadora alegou que valores recebidos tinham relação com sua atuação profissional

Deolane Bezerra (Foto: Reprodução (Redes Sociais))
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247 - A influenciadora Deolane Bezerra afirmou em audiência de custódia que foi presa por atuar como advogada e sustentou que os valores recebidos tinham relação com sua atividade profissional. Detida na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP), a advogada é alvo da Operação Vérnix sob acusação de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e lavar dinheiro para a cúpula da facção. Ela teve a prisão preventiva mantida pela Justiça paulista. A informação foi publicada nesta sexta-feira (22) pelo Metrópoles

O Judiciário determinou o bloqueio de R$ 27 milhões atribuídos à influenciadora, que soma mais de 21 milhões de seguidores no Instagram e ganhou projeção nacional após a morte de MC Kevin, com quem foi casada. Ela tem uma fortuna estimada em mais de R$ 2 bilhões

A audiência foi realizada de forma virtual no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), para onde Deolane foi levada após ser presa em sua mansão em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. As imagens mostram a influenciadora emocionada ao ouvir a advogada Josimary Rocha, que a representa, mencionar a filha Valentina, de 9 anos.

A prisão de Deolane ocorreu na manhã de quinta-feira, 21 de maio, no âmbito da Operação Vérnix, que também mirou Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do PCC. A Polícia Civil de São Paulo acusa a influenciadora de integrar a facção e de participar de um esquema de lavagem de dinheiro voltado à alta cúpula do grupo criminoso.

A prisão preventiva foi decretada pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau e mantida após a audiência de custódia. Deolane foi encaminhada inicialmente à Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista, e, na manhã desta sexta-feira, 22 de maio, transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado.

Defesa afirma que prisão ocorreu por atuação profissional

Durante a audiência, Deolane declarou que foi presa por causa de sua atuação como advogada em um processo antigo. Ela disse que acompanhava o caso de Diogenes Gomes Barros, preso por roubo na Penitenciária de Irapuru, no interior paulista, e identificado pela investigação como integrante do PCC. Ele é pai de Valentina.

“Excelência, eu fui presa no exercício da profissão. À época dos fatos eu advogava. É um processo bem antigo, de 2019, 2020. Eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que eu fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia o meu acompanhamento ao cliente”, declarou Deolane.

Segundo a investigação, Deolane passou a ser alvo depois que policiais identificaram transferências bancárias feitas por uma transportadora que, de acordo com os investigadores, teria sido criada pelo PCC para branqueamento de valores. A apuração afirma que as transações não foram justificadas como pagamento por serviços advocatícios, mas como “fechamento” das contas mensais da empresa.

O relatório final da Polícia Civil aponta ainda que Deolane visitou Diogenes até ele ser solto, em dezembro de 2014. A influenciadora, porém, sustenta que sua atuação estava vinculada ao exercício regular da advocacia.

Pedido de prisão domiciliar

Na audiência de custódia, a advogada Josimary Rocha afirmou ao Juízo que Deolane teria direito à prisão domiciliar por ser mãe de uma criança menor de 12 anos. A defesa apresentou pedido à Justiça para que a influenciadora seja transferida para esse regime, mas a solicitação ainda precisa ser analisada.

Deolane se emocionou ao ouvir a menção à filha Valentina. A defesa usou o argumento da maternidade para reforçar o pedido, com base na previsão legal aplicada a mães de crianças nessa faixa etária.

Investigação mira transportadora e clã Camacho

A Operação Vérnix investiga um suposto esquema de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro ligado ao PCC. De acordo com os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, teria sido usada para movimentar recursos atribuídos à facção e à família de Marcola.

Marcola, que está preso em uma penitenciária federal, é apontado pela investigação como controlador da transportadora envolvida no esquema. O relatório também menciona Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, que, mesmo detido no sistema federal, teria exercido controle direto sobre a empresa e definido percentuais e destinação de recursos por meio da filha.

Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e filha de Alejandro, é apontada como mensageira e gestora indireta da parte do patrimônio atribuída ao pai. Segundo a investigação, ela intermediava ordens da cúpula do PCC para operadores do esquema, indicando contas bancárias, divisões percentuais e valores a serem pagos.

Outro citado no relatório é Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, filho de Alejandro e sobrinho de Marcola. A quebra de sigilo apontou movimentação de cerca de R$ 746 mil em créditos efetivos, com parte expressiva proveniente de depósitos em espécie não identificados. Conforme a apuração, Leonardo aparece em conversas como destinatário de repasses determinados pelo pai.

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