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São Paulo é escolhida por ranking internacional como melhor cidade para vida noturna

World’s Best Cities 2026 destaca bares, rooftops e festas que animam a capital paulista

Theatro Municipal de São Paulo (Foto: Sylvia Masini/Divulgação)

247 - São Paulo vive um momento de destaque internacional ao ser eleita a melhor cidade do mundo para a vida noturna, segundo o ranking World's Best Cities 2026, divulgado em novembro do ano passado. Segundo a Bloomberg, a capital paulista se tornou referência ao transformar espaços antes abandonados, como bancos e galerias subterrâneas, em bares, clubes e restaurantes que funcionam até altas horas da madrugada.

O centro histórico da cidade é o epicentro dessa transformação, com novos empreendimentos e reformas públicas que aumentaram a segurança e a atratividade da região. Bares e casas noturnas aproveitam imóveis desocupados, criando experiências inéditas em lugares inesperados. O Bar do Cofre, por exemplo, funciona na antiga agência do Banco do Estado de São Paulo.

Drinks autorais em espaços históricos

O cardápio do estabelecimento equilibra clássicos, como o Fitzgerald, inspirado em gin-sour, com drinks originais regionais, como o Amazônia, mistura de gin e néctar de goiaba. Outro exemplo é o Bar dos Arcos, localizado no subsolo do Theatro Municipal de São Paulo. O espaço atrai visitantes pelo clima "sexy-cool" e pela trilha sonora que vai de violinistas reinterpretando hits de Amy Winehouse a DJs tocando R&B e clássicos brasileiros.

A cidade também recuperou galerias subterrâneas abandonadas há quase 50 anos. Um exemplo é o Formosa Hi-Fi, bar de audição que recebe mais de mil fãs de música nos fins de semana. DJs tocam desde Michael Jackson vintage até Legião Urbana em vinil, enquanto a entrada, que lembra uma estação de metrô, recebe visitantes acompanhados por seguranças que os guiam de seus Ubers.

Rooftops têm um papel estratégico na expansão da vida noturna paulistana. O Edifício Martinelli, construído há um século e antigo segundo prédio mais alto do Brasil, abriga no 26º andar um bar com vista 360° da cidade e programação de circuit parties. Fabio Floriano, sócio do grupo Tokyo, que organiza eventos no local, explica: "O objetivo é manter as ruas ativas dia e noite, impulsionando a vida noturna e recuperando áreas antes abandonadas, onde a insegurança predominava."

Diversidade cultural como diferencial

O sucesso da vida noturna em São Paulo também se deve à diversidade cultural da cidade. Os bares expandem o conceito de espaço e evento, com festas que vão de shows eletrônicos a ritmos brasileiros, como pagode e samba, sempre adaptando o ambiente para experiências inovadoras. Mesmo locais pequenos, com capacidade para apenas 15 pessoas, podem se transformar em hotspots movimentados, se houver espaço para um barstool ou um alto-falante.

"São Paulo sempre foi uma das cidades com a vida noturna mais ativa do mundo. O que se destaca agora é a força criativa e adaptativa da indústria", diz Vinicius Bento, gerente de operações do Condessa Bar, conhecido por drinks refinados e cardápio com dadinhos de tapioca e roast beef. A corretora Ruth da Silva reforça que a combinação de investimentos privados e melhorias públicas torna o centro "um potencial polo comercial próspero no futuro próximo".

Apesar da valorização imobiliária e do aumento dos preços de aluguel, a cidade mantém seu ritmo noturno intenso. Segundo dados do QuintoAndar, o aluguel médio em São Paulo em 2025 era de 69,50 reais por metro quadrado, chegando a 143,50 reais nos bairros mais caros. Ainda assim, a expansão da vida noturna não diminui: o Martinelli passa por reforma de 100 milhões de reais para ampliar seus espaços de entretenimento, enquanto novos bares e festas continuam a surgir. "São Paulo nunca vai se cansar de bares e festas diferentes, então não há razão para parar de investir em novas e divertidas soirées", completa Floriano.

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