"Sicário" de Vorcaro tentou suicídio duas vezes e foi socorrido em 10 minutos, diz PF
Superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais afirmou que a resposta ao ocorrido foi “extremamente diligente”
247 - O homem conhecido como “Sicário”, preso em investigação que envolve suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, tentou se enforcar duas vezes usando a própria camisa dentro de uma cela da Polícia Federal em Minas Gerais. A equipe de resgate foi acionada após agentes identificarem a situação por meio do sistema de monitoramento, segundo informações divulgadas pela Polícia Federal.
De acordo com relato do superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad, ao Fantástico, o socorro ocorreu poucos minutos após a identificação da ocorrência. “Decorreram aproximadamente 10 minutos, no máximo. A equipe, assim que constatou a anomalia da situação, se deslocou imediatamente. Ele foi retirado da posição de enforcamento e acionados tanto o SAMU quanto uma equipe de pronto-socorro da própria Polícia Federal, que imediatamente iniciou o processo de reanimação. Conseguimos estabilizá-lo até a chegada da equipe do SAMU e a partir daí passamos aos cuidados da equipe de saúde do SAMU de Minas Gerais”, afirmou.
Murad também explicou que os policiais responsáveis pelo plantão não atuam exclusivamente no monitoramento das câmeras, pois acumulam outras tarefas no local. Ainda assim, segundo ele, a resposta ao incidente foi “extremamente diligente”.
Após o episódio na cela, o suspeito foi encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde permaneceu internado em estado grave. Dois dias depois, foi confirmada a morte encefálica. A Polícia Federal informou que diversas pessoas já foram ouvidas e que o inquérito continua em andamento.
Investigação sobre ligação com Daniel Vorcaro
O homem havia sido preso horas antes durante uma operação que apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme as investigações, ele teria atuado como uma espécie de executor de tarefas para monitorar adversários do banqueiro, constranger opositores e, em determinadas situações, promover agressões físicas.
Os investigadores também apontam que o grupo investigado teria tentado acessar informações sigilosas em sistemas restritos. Mensagens atribuídas a conversas entre o suspeito e Vorcaro foram citadas em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Nos diálogos mencionados na decisão, o banqueiro teria discutido a possibilidade de colocar pessoas para seguir um jornalista e chegou a cogitar a simulação de um assalto para viabilizar uma agressão.
Esquema financeiro investigado pelo Ministério Público
Antes das apurações envolvendo o Banco Master, o Ministério Público de Minas Gerais já investigava atividades ligadas ao suspeito. Ele foi sócio da empresa Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., que oferecia investimentos com promessas de rendimentos superiores aos praticados no mercado financeiro.
Segundo a promotora Janaina de Andrade Dauro, os contratos apresentados aos investidores eram pouco detalhados e não deixavam claro onde os recursos seriam aplicados. Com o passar do tempo, diversos clientes relataram dificuldades para retirar o dinheiro investido.
Advogados que representam as vítimas afirmam que pessoas de diferentes regiões do país foram atraídas pela proposta de investimento. “Temos vítimas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Belém do Pará e de diversos estados”, disse um dos advogados que acompanha o caso.
De acordo com o Ministério Público, entre junho de 2018 e julho de 2021, cerca de R$ 28 milhões teriam sido movimentados em contas associadas a empresas de fachada vinculadas ao investigado.
Empréstimos e imóveis superavaliados
As apurações também indicam que o grupo investigado teria obtido aproximadamente R$ 62 milhões em empréstimos bancários usando imóveis com valores inflados como garantia. Propriedades avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 600 mil teriam sido apresentadas aos bancos com valores que chegariam a R$ 16 milhões ou R$ 19 milhões.
Segundo os investigadores, esses imóveis pertenciam a uma empresa que teve como acionista Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro. Posteriormente, o banco que concedeu os empréstimos foi adquirido pelo próprio Vorcaro e passou a se chamar Banco Master.
Apesar da relação apontada nas investigações, os irmãos Vorcaro não foram denunciados na ação do Ministério Público de Minas Gerais. Procurada, a defesa de Natália Vorcaro não comentou o caso.
Processo judicial em andamento
No ano passado, durante a fase de instrução do processo que apura as supostas fraudes financeiras, o suspeito compareceu a uma audiência, mas optou por permanecer em silêncio.
O advogado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão informou que aguardava acesso completo aos autos do processo e afirmou não ter tido tempo de discutir as acusações com o cliente diante do desfecho do caso.
Até o momento, não há previsão para o julgamento dos outros dez réus denunciados na ação.


