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Tenente-coronel preso perseguiu subordinada por 8 meses, mesmo após matar de Gisele: "eu só peço, me deixe em paz"

Prints entregues à Corregedoria apontam que Geraldo Neto assediou subordinada por oito meses em São Paulo

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana (Foto: Reprodução )

247- O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, de 53 anos, preso sob acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, é alvo de uma nova denúncia na corporação: mensagens de celular indicam que ele teria assediado sexualmente outra subordinada por oito meses em São Paulo; as informações são do g1.

De acordo com a reportagem do g1, os prints foram entregues à Corregedoria da Polícia Militar pelo advogado da soldado Rariane Generoso, de 32 anos. A denúncia atribui ao oficial condutas de assédio sexual e moral, perseguição, ameaça e coação. A Corregedoria analisa o material para apurar administrativamente a conduta do tenente-coronel.

As mensagens teriam sido enviadas entre 26 de junho de 2025 e 4 de março de 2026. O período inclui meses em que Geraldo Neto ainda era casado com Gisele Alves e se estende até duas semanas depois da morte da esposa, ocorrida em 18 de fevereiro deste ano.

Em uma das mensagens enviadas à subordinada, em 11 de setembro de 2025, o oficial perguntou: “Quer namorar comigo?”. Em outro trecho, escreveu: “Não vejo a hora de te dar um beijo bem gostoso nessa sua boca deliciosa.”

O advogado do tenente-coronel afirmou ao g1 que não tinha conhecimento da nova acusação de assédio.

Mensagens indicam insistência apesar de recusas

As conversas mostram que o oficial fazia investidas frequentes contra Rariane, que, segundo a denúncia, recusava as aproximações e pedia que a relação se mantivesse no campo profissional.

Em algumas mensagens, Neto associava suas declarações a referências religiosas. “Sabe quando isso vai acabar? Quando a gente se casar e ter um filho bem lindo e saudável abençoado por Deus.” Em outro momento, escreveu: “Gosto muito de você e continuo a falar com Deus sobre você em minhas orações.” Ele também afirmou: “Pensei em te convidar pra gente ir a missa juntos.”

As respostas da soldado, segundo os prints, demonstram rejeição às investidas. “Não vamos ter nada.” Em outra mensagem, ela pediu: “Vamos manter o profissionalismo, por favor.” Também escreveu: “Olha, eu só peço para que me deixe em paz.”

Rariane afirmou que nunca teve qualquer relacionamento com o superior e relatou desconforto com a associação de seu nome ao dele. “Nunca tivemos nada e ver meu nome associado como amante tá me deixando muito doente.” Na sequência, acrescentou: “Se quer mesmo o meu bem, para de me procurar como se tivéssemos alguma coisa.”

Denúncia cita ida ao prédio da soldado

Segundo a denúncia entregue à Corregedoria, as abordagens não teriam ficado restritas ao ambiente digital. Geraldo Neto também teria ido ao prédio onde Rariane mora levando um buquê de flores. Uma câmera de segurança registrou o oficial deixando a portaria do condomínio.

Depois, ele enviou uma mensagem à soldado relatando que havia encontrado o endereço dela. “Achei bom aí a rua do seu prédio e também a própria estrutura do condomínio onde você mora”.

Em outra ocasião, de acordo com o relato da policial, o tenente-coronel teria retornado ao local durante o expediente, fardado e usando uma viatura oficial. O uso de veículos da corporação para fins pessoais é vedado pela Polícia Militar.

Rariane também relatou que o oficial costumava chamá-la para encontros e fazia elogios à sua aparência dentro do ambiente de trabalho. Mesmo diante das recusas, as mensagens teriam continuado. Em uma delas, ele declarou: “Eu te amo muito e quero fazer você feliz de verdade.”

Subordinada relata constrangimento e medo

A soldado afirma que passou a enfrentar constrangimentos dentro da corporação, com comentários de colegas de que ela seria amante do oficial. Ela nega ter tido qualquer envolvimento com o tenente-coronel.

Ainda segundo a denúncia, Neto teria tentado usar sua posição hierárquica para se aproximar da subordinada. Ele teria sugerido que ela assumisse uma função administrativa próxima a ele e, após a recusa, teria ameaçado transferi-la.

Rariane relatou ainda que passou a evitar escalas em que o oficial estivesse presente, por medo. A denúncia sustenta que a insistência, somada à posição de comando de Neto, criou um ambiente de pressão e intimidação.

Contato teria continuado após morte de Gisele

A denúncia afirma que o tenente-coronel voltou a procurar Rariane mesmo depois da morte de Gisele Alves. Usando outro celular, ele teria enviado mensagens para dizer que não havia matado a esposa. Para demonstrar que era ele, mandou uma fotografia à soldado.

Rariane afirmou que ignorou o contato. A nova denúncia amplia a apuração interna sobre a conduta do oficial, que já responde a procedimento na Polícia Militar e pode perder o cargo.

Caso Gisele Alves

Geraldo Neto está preso acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Ela foi baleada, chegou a ser socorrida, mas morreu horas depois no hospital.

O Ministério Público afirma que o crime ocorreu porque o oficial não aceitava a separação. A investigação aponta que Gisele decidiu se divorciar após descobrir traições do marido.

Na Justiça, o tenente-coronel responde como réu por feminicídio e fraude processual. A acusação sustenta que ele alterou a cena do crime para tentar simular um suicídio. A defesa nega a acusação e afirma que Gisele tirou a própria vida.

A Corregedoria da Polícia Militar também apura se Neto usou sua posição hierárquica para intimidar agentes que atenderam a ocorrência no apartamento após a morte de G

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