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Violência política contra mulheres vira alvo de campanha

Oito em cada dez mulheres negras relataram violência política de gênero e raça, aponta levantamento

Rede A Ponte lança a campanha “Lugar de Mulher é Onde Ela Foi Eleita (Foto: Tatiana Ruediger/Divulgação/Rede A Ponte)
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247 - A Rede A Ponte lança, no próximo dia 29 de maio, em São Paulo, a campanha “Lugar de Mulher é Onde Ela Foi Eleita”, iniciativa voltada ao enfrentamento da violência política de gênero e raça e à defesa da permanência de mulheres nos espaços de poder. O lançamento ocorrerá durante o Festival MEL e marcará também os cinco anos de atuação da organização no fortalecimento de mulheres na política institucional.

A campanha será apresentada juntamente com o Relatório de Violência Política de Gênero e Raça (VPGR) e o Violentômetro, ferramenta de autodiagnóstico criada para auxiliar parlamentares a identificar situações de violência política frequentemente naturalizadas no cotidiano dos mandatos.

Campanha será lançada no Festival MEL

Segundo o diagnóstico produzido pela Rede A Ponte, a violência política de gênero opera como estratégia de interdição democrática, atingindo especialmente mulheres pertencentes a grupos historicamente sub-representados e minorizados.

Dados levantados pela organização apontam que oito em cada dez mulheres negras acompanhadas pela rede relataram ter sofrido violência política de gênero e raça. O material também indica que, nos partidos políticos, 92% dos casos acompanhados pela Ponte envolvem mulheres negras.

O diagnóstico aponta ainda que o exercício dos mandatos é atravessado por mecanismos sistemáticos de silenciamento e desgaste institucional, agravados pela ausência de um fluxo estatal unificado de enfrentamento e denúncia.

A campanha parte do conceito de que “lugar de mulher é onde ela foi eleita”, apresentado pela organização como uma afirmação do direito à permanência nos espaços conquistados pelo voto popular. A proposta busca denunciar como ataques políticos de gênero e raça têm como objetivo interromper trajetórias, inviabilizar mandatos e afastar mulheres da vida pública.

“O que estamos dizendo com essa campanha é que violência política de gênero e raça não é um problema individual das parlamentares. É um problema democrático. Quando mulheres eleitas são silenciadas, ameaçadas ou empurradas para fora da política, o que está sendo atacado é o próprio direito da sociedade à representação”, afirmou Lauana Chantal, diretora da Rede A Ponte.

Mulheres negras são as principais vítimas

O lançamento acontece em ano eleitoral, período em que a exposição pública de mulheres na política se intensifica, tanto para as que exercem mandatos quanto para as que estão em campanha.

O evento será realizado em São Paulo com parlamentares da rede, parceiras, financiadores e representantes de organizações nacionais. A programação prevê a apresentação da campanha, do relatório VPGR e do Violentômetro, além de homenagens e atividades voltadas à memória da trajetória da organização.

Além do lançamento presencial, estão previstas ações ao longo de 2026 com foco em diferentes grupos atingidos pela violência política de gênero e raça, incluindo mulheres negras, mulheres LBT+, jovens e mulheres com deficiência.

A campanha também contará com conteúdos narrativos baseados em relatos reais de parlamentares acompanhadas pela organização, preservando o anonimato das vítimas.

Rede A Ponte completa cinco anos

Criada em 2021, a Rede A Ponte consolidou, ao longo de cinco anos, uma atuação voltada ao fortalecimento e à conexão de mulheres na política institucional, articulando produção de conhecimento, incidência política e construção de redes de apoio.

Segundo documento institucional da organização, o aniversário marca “a consolidação de uma organização que construiu uma forma própria de atuar no fortalecimento e na conexão de mulheres na política institucional”.

Para Lauana Chantal, “a Rede A Ponte nasce do reconhecimento de que mulheres na política enfrentam estruturas que operam para seu isolamento, desgaste e exclusão. Celebrar esses cinco anos é também afirmar que essas trajetórias precisam ser sustentadas coletivamente para que a democracia brasileira seja mais plural e representativa”.

O segundo momento comemorativo dos cinco anos da Rede A Ponte ocorrerá no Rio de Janeiro, em outubro, reunindo equipe, parlamentares, doadoras e parceiras estratégicas.

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