HOME > Sudeste

Zema disse não querer saber de mordomias, mas aumentou o próprio salário em 298%

O ex-governador reajustou o salário para R$ 41,8 mil e bateu recorde de R$ 1,5 milhão em combustível de aviação

Romeu Zema (Foto: Dirceu Aurélio / Imprensa MG )

247 - O pré-candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo) construiu sua imagem pública em torno da austeridade e do combate às mordomias do poder, mas dados levantados pelo jornal O Tempo — fonte original desta matéria — contradizem o discurso. No segundo mandato como governador de Minas Gerais, Zema concedeu a si mesmo e aos seus secretários um reajuste de 298%, elevando seu próprio salário a R$ 41.845,49 e alçando-o à condição de segundo governador mais bem pago do Brasil, superado apenas pelo chefe do Executivo de Sergipe.

O curioso é que o político havia declarado ser a prova de que "dá pra ser um político sem ter mordomias e vida de rei" e que pretende "levar essa cultura pro Brasil". Mas em 2023 veio o reajuste salarial. Era o primeiro ano do segundo mandato de Zema à frente do Palácio da Liberdade.

O aumento contrasta diretamente com a retórica que o ex-governador adota em sua pré-campanha presidencial: em vídeo divulgado no Instagram, ele apontou duas árvores do quintal de sua casa na região da Pampulha como os "únicos privilégios como governador de Minas" e afirmou pretender "acabar com a farra dos intocáveis e mostrar que país nenhum funciona quando o governo é rico e o povo é pobre".

O distanciamento entre discurso e prática não se limita ao salário. No último ano completo de gestão, o gabinete de Zema bateu recorde histórico em gastos com combustível de aviação, chegando a R$ 1,5 milhão — um valor que destoa da imagem de político austero que o ex-governador projeta ao se apresentar como alternativa ao modelo político tradicional.

Zema também afirmou ser "a prova de que dá pra ser um político sem ter mordomias e vida de rei" e declarou a intenção de "levar essa cultura pro Brasil" caso chegue à Presidência da República. Os dados levantados pelo O Tempo, no entanto, colocam em xeque a consistência dessa narrativa e acrescentam um elemento de contradição relevante à sua trajetória política antes do início formal da campanha eleitoral de 2026.

Artigos Relacionados