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Edegar Pretto anuncia que será vice de Juliana Brizola na disputa pelo governo do RS

Decisão sela aliança no campo progressista no estado após meses de negociações

Edegar Pretto (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

247 - O ex-presidente da Conab, Edegar Pretto (PT), anunciou nesta quinta-feira (16) que aceitou ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Juliana Brizola (PDT) ao governo do Rio Grande do Sul, em um movimento articulado para unificar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado e reorganizar a aliança entre partidos do campo progressista.

A decisão foi tomada após a direção nacional do PT determinar, no último dia 7, que o diretório estadual apoiasse o lançamento da candidatura de Juliana Brizola ao Palácio Piratini. Até então, Pretto era o nome escolhido pelo partido no Rio Grande do Sul para disputar o governo estadual.

Em carta divulgada nesta manhã, o petista confirmou sua entrada na chapa encabeçada pela ex-deputada do PDT. “Aceito a tarefa de ser candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul, na chapa com a candidata Juliana Brizola”, escreveu. No mesmo texto, acrescentou: “Estou certo de que saberemos representar essa frente política com responsabilidade e apresentar ao povo gaúcho o melhor projeto para o futuro do estado. É tempo de responsabilidade, de unidade e de compromisso com o futuro”.

Edegar havia sido escolhido por unanimidade como pré-candidato do PT ao governo gaúcho, com o respaldo de partidos aliados como PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB. A retirada de seu nome ocorreu após a avaliação das lideranças nacionais petistas de que a composição com o PDT seria mais favorável ao projeto de reeleição de Lula e à construção de uma candidatura unificada no estado.

Na carta, o ex-presidente da Conab afirmou que a decisão foi tomada a partir de pedidos do presidente Lula e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Também mencionou conversas com lideranças históricas do partido no Rio Grande do Sul, entre elas os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra, que haviam se manifestado publicamente contra a intervenção da direção nacional na articulação política já desenhada no estado.

De acordo com Pretto, sua posição está baseada em um “compromisso coletivo” com o partido, acima de projetos individuais. Ele também afirmou que o acúmulo programático já construído com as siglas aliadas será mantido, agora com a incorporação do PDT à aliança.

Outro trecho da carta destaca o papel que ele pretende exercer na campanha presidencial no estado. “Minha missão será, também, ajudar a construir, a partir dessa candidatura, um palanque forte e autêntico do presidente Lula no Rio Grande do Sul — um palanque que vá além do momento eleitoral, que dialogue com a sociedade, defenda o governo Lula e aponte caminhos concretos para o desenvolvimento do estado e do Brasil”, escreveu.

A nova composição também prevê o deputado federal Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSOL) como pré-candidatos ao Senado. A aliança, no entanto, foi antecedida por forte resistência dentro do PT gaúcho e entre legendas que já apoiavam a candidatura própria de Edegar.

Antes da decisão da direção nacional, os petistas do Rio Grande do Sul sustentavam que Edegar era “a melhor opção para a construção da vitória” nas eleições estaduais. A avaliação interna era de que sua escolha havia sido feita de maneira democrática, em convenção realizada ainda em novembro do ano passado.

A divergência chegou a ampliar o racha no campo da esquerda local. O PSOL chegou a considerar o lançamento de uma candidatura própria como forma de pressionar pela manutenção do nome de Edegar na disputa ao Palácio Piratini, mas voltou atrás com receio de que o movimento prejudicasse a candidatura de Manuela ao Senado. Outro ponto de crítica entre aliados dizia respeito à ausência de debate mais aprofundado com as bases locais do PDT sobre o conteúdo programático da aliança.

A movimentação para consolidar o apoio a Juliana Brizola ganhou força após uma reunião da ex-deputada com o presidente Lula, em fevereiro, no Palácio do Planalto, acompanhada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Juliana ofereceu as três vagas de sua chapa ao PT em troca do apoio do presidente à sua candidatura ao governo gaúcho, preservando os nomes já definidos pelos petistas para o Senado.

Desde então, a direção nacional do PT passou a defender a existência de um palanque único de Lula no Rio Grande do Sul, com preferência pela candidatura de Juliana. Edinho Silva chegou a classificar como “etnocentrismo político inaceitável” a manutenção de dois palanques no estado e afirmou que a história poderia “cobrar um preço politicamente caríssimo” caso não houvesse acordo.

Antes da decisão final, Edegar ainda sustentava sua pré-candidatura. “Nossa pré-candidatura está super consolidada. Obviamente, temos a noção que o PT nacional tem outras questões na mesa de negociação, mas nossa tática é a mais favorável para o presidente Lula. Não sou candidato de mim mesmo, sou cumpridor de tarefas coletivas”, afirmou.

No dia seguinte, porém, uma resolução aprovada pela Comissão da Executiva Nacional por meio do Grupo de Trabalho Eleitoral determinou formalmente o apoio à candidatura de Juliana Brizola. Na semana passada, Edegar comunicou a retirada de sua candidatura ao governo. Com isso, o PT não terá candidato próprio ao Palácio Piratini pela primeira vez em sua história.

Com o entendimento fechado no PT, as principais chapas da disputa ao governo do Rio Grande do Sul já começam a se consolidar. Zucco terá a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como pré-candidata a vice-governadora, além dos deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) ao Senado. Já o vice-governador Souza encaminhou o deputado estadual Ernani Polo (PSD) para a vice, com o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) como pré-candidatos ao Senado.

 

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