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Homem cita criança morta há 19 anos no Paraná durante abuso sexual, volta a ser suspeito e acaba preso após caso ser reaberto

O caso voltou a ser investigado depois que uma ex-enteada denunciou o homem

Homem cita criança morta há 19 anos no Paraná durante abuso sexual, volta a ser suspeito e acaba preso após caso ser reaberto (Foto: Marcello Jr/Arquivo da Agência Brasil)

247 - A Polícia Civil do Paraná prendeu preventivamente, nesta quinta-feira (19), Martônio Alves Batista, de 55 anos, suspeito de estuprar e assassinar a menina Giovanna dos Reis Costa, morta aos nove anos em 2006, no município de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. A prisão ocorreu em Londrina, após a reabertura das investigações. As informações foram divulgadas inicialmente em reportagem do g1 Paraná, assinada pelas jornalistas Ana Zampier e Bruna Melo. Segundo a Polícia Civil, o caso voltou a ser investigado depois que uma ex-enteada denunciou o homem por abuso sexual e revelou que ele citava repetidamente o assassinato da criança como forma de ameaça durante os crimes.

Crime que chocou o Paraná

Giovanna desapareceu em 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas escolares próximas à residência da família. Dois dias depois, o corpo da menina foi encontrado em um terreno baldio, dentro de sacos plásticos, com as mãos amarradas e sinais de violência sexual.

A perícia apontou morte por asfixia mecânica. As roupas da criança foram localizadas em outro ponto da cidade, circunstância que, à época, levantou suspeitas de tentativa de despistar a investigação.Inicialmente, três pessoas chegaram a ser presas sob a hipótese de participação em um ritual criminoso, mas todas foram absolvidas pelo Tribunal do Júri em 2012.

Suspeito já havia sido investigado
De acordo com a delegada Camila Cecconello, Martônio já figurava entre os principais suspeitos na época do crime por ser vizinho da vítima.No dia do desaparecimento, policiais estiveram na casa dele. Um colchão com manchas suspeitas foi encontrado e o imóvel deveria passar por perícia. No entanto, quando a equipe retornou, o colchão havia desaparecido e a residência havia sido lavada com água sanitária.Também foi localizado no quintal um fio elétrico semelhante ao utilizado para amarrar o corpo da criança. Apesar dos indícios, não houve pedido de prisão naquele momento e o foco da investigação mudou para outros suspeitos.

Denúncia de abuso reabre o caso
O avanço decisivo ocorreu após uma ex-enteada procurar a polícia e relatar abusos sexuais sofridos entre os 11 e 14 anos. Segundo o depoimento, o suspeito fazia ameaças constantes utilizando o nome da vítima assassinada.A delegada relatou o conteúdo das intimidações:"Nas ameaças, ele sempre cita que ele já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima. Em alguma das circunstâncias, ele fala assim: 'eu já fiz mal pra uma Giovanna, você vai ser a próxima'"O relato levou investigadores a reexaminar o homicídio ocorrido quase duas décadas antes.

Confissões a ex-companheiras
Durante a nova apuração, outras ex-companheiras do suspeito foram ouvidas. Uma delas afirmou que recebeu uma confissão detalhada sobre o assassinato.

Segundo a delegada, o relato apresentado pelo homem coincide com elementos técnicos já identificados pela perícia."Ele relata [à ex-companheira] que, na data dos fatos, a Giovanna estava vendendo rifas, e ele falou pra ela que não tinha dinheiro ali fora, só tinha dentro de casa. E falou para ela entrar na casa dele, que iria pegar o dinheiro. Ele relata para essa ex-companheira que, assim que ela [Giovanna] entrou, ele passou a sufocar e desmaiar ela e aí cometeu a violência sexual. Ele diz também que, após esse fato, ele percebeu o que tinha feito, que a menina iria reconhecê-lo. Então ele deu um jeito de ocultar o corpo, jogando o corpo numa outra área, e colocando as roupas dela em outra região para incriminar terceiros"

Outra testemunha relatou ainda que uma ex-esposa teria sido obrigada a limpar a casa para eliminar vestígios do crime. Além das novas declarações, investigadores consideram o histórico criminal do suspeito. Em 2018, ele chegou a ser preso após instalar câmeras escondidas no banheiro feminino da pastelaria que administrava.

Prisão e novas investigações
Martônio Alves Batista foi preso preventivamente e é investigado por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. Durante o depoimento, ele permaneceu em silêncio.A Polícia Civil informou que outras possíveis vítimas de crimes sexuais também estão sendo investigadas, com relatos semelhantes envolvendo ex-enteados e ex-companheiras.

Defesa pede acesso ao processo

O advogado Eduardo Caldeira afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos e evitou comentar o mérito das acusações."Em relação às notícias que vêm sendo divulgadas sob a prisão do meu cliente, Martônio Alves Batista, informo que fui procurado, sim, para fazer a avaliação da situação jurídica sobre o caso. E até o presente momento, não tivemos acesso à íntegra dos autos, nem ao processo e nem à decisão judicial que decretou a prisão preventiva do senhor Martônio. Portanto, qualquer manifestação mais aprofundada seria precipitada. O que posso informar é que no estado democrático de direito, toda pessoa tem o direito à ampla defesa, ao contraditório e a presunção de inocência. Assim que tivermos acesso oficial aos elementos do processo, adotaremos as medidas judiciais cabíveis, sempre com responsabilidade dentro da legalidade."Caso ganha novo capítulo após quase duas décadas

A reabertura da investigação representa um novo desdobramento em um dos crimes que mais marcaram o Paraná nos anos 2000. Para a Polícia Civil, os novos depoimentos e indícios reunidos podem finalmente esclarecer o assassinato que permaneceu sem solução definitiva por quase 20 anos.As investigações seguem em andamento para confirmação das provas e eventual responsabilização criminal do suspeito.