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BNDES investe R$ 48,2 milhões em projeto da Mendelics para ampliar acesso ao diagnóstico genético

Recursos financiarão nova plataforma e teste capaz de identificar até mil doenças em recém-nascidos

BNDES investe R$ 48,2 milhões em projeto da Mendelics para ampliar acesso ao diagnóstico genético (Foto: Leonardo Lucena)

247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai investir R$ 48,2 milhões no desenvolvimento de soluções voltadas ao diagnóstico genético no país. O apoio será direcionado à empresa Mendelics Análise Genômica, com foco na ampliação do acesso a exames e na formação de profissionais especializados. As informações são da Agência BNDES de Notícias. 

Os recursos fazem parte do programa BNDES Mais Inovação e contemplam a criação de uma plataforma digital para emissão de laudos genômicos, além do desenvolvimento de um novo teste para recém-nascidos. A iniciativa busca enfrentar a escassez de especialistas, considerada o principal obstáculo para expandir esse tipo de diagnóstico.

Políticas públicas voltadas à área da saúde

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o investimento está alinhado a políticas públicas voltadas à área da saúde. “O apoio do BNDES ao desenvolvimento dessa plataforma inovadora para a emissão de laudos médicos traz ganhos relevantes para a saúde no país”, afirmou.

Ele acrescentou que a iniciativa também contribui para ampliar o acesso a tecnologias e reduzir desigualdades. “Essa iniciativa está alinhada à política pública do governo do presidente Lula de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde”, disse.

Ampliação da capacidade de diagnóstico

A plataforma proposta permitirá a análise de dados genéticos e a elaboração de laudos com custos até 90% inferiores aos praticados atualmente. A expectativa é que a solução contribua para ampliar o número de exames realizados e reduzir o tempo de entrega dos resultados.

Atualmente, a etapa interpretativa dos exames genéticos depende exclusivamente de especialistas, o que limita a escala do serviço. As fases laboratoriais e de bioinformática já são automatizadas, mas a análise final ainda exige profissionais altamente qualificados.

Dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2025 indicam que o país contava, em 2024, com 376 especialistas em genética médica, o equivalente a 0,18 profissional por 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ao menos um especialista por 100 mil habitantes, o que aponta para um déficit estimado em cerca de 1,8 mil profissionais.

A nova plataforma também prevê o uso de inteligência artificial e machine learning para tornar o sistema mais eficiente e ampliar a capacidade de formação de analistas.

Novo teste para recém-nascidos

Parte do financiamento será destinada ao desenvolvimento de um exame mais abrangente para bebês. Enquanto o teste do pezinho identifica até 50 doenças genéticas, e o teste da bochechinha, criado pela Mendelics, alcança cerca de 500, a nova tecnologia deve permitir o diagnóstico de até mil doenças tratáveis.

A proposta busca ampliar a detecção precoce de condições genéticas e contribuir para o tratamento mais rápido dos pacientes.

Integração com o SUS

Em 2025, a Mendelics firmou parceria com o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo em um projeto aprovado pelo Ministério da Saúde no âmbito do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia para o Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a capacitação de equipes para análise genômica.

A expectativa é que o sistema público possa oferecer esse tipo de diagnóstico em larga escala, com custos reduzidos. A nova plataforma deverá entrar em operação até o início de 2028.

Histórico da empresa

Fundada em 2012, a Mendelics foi o primeiro laboratório no Brasil a realizar o sequenciamento de exomas, técnica que analisa cerca de 3% do genoma humano e permite identificar diversas condições genéticas.

A empresa também desenvolveu, em 2013, um algoritmo de inteligência artificial para avaliação de exames genéticos, posteriormente premiado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Em 2017, lançou o teste da bochechinha, voltado à triagem neonatal, e, em 2020, criou um teste de Covid-19 a partir de saliva.

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