OMS vê risco muito alto em surto de Ebola na República Democrática do Congo
Surto de Ebola na RDC tem 82 casos confirmados, 7 mortes e 750 suspeitas, em meio a alerta da OMS sobre avanço rápido da doença
247 - A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para “muito alto” o nível de risco relacionado ao surto de Ebola na República Democrática do Congo, onde foram registrados 82 casos confirmados, 7 mortes, 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas, as informações são da teleSUR.
Segundo a Telesur, a epidemia avança em uma região marcada por conflitos armados e graves dificuldades humanitárias. A OMS informou que a doença se espalhou pelas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas divididas pela linha de frente entre as forças congolesas e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, o que dificulta a resposta das equipes de saúde.
“A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está se espalhando rapidamente”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A organização também informou a evacuação de um cidadão americano da RDC para a República Tcheca, por ser considerado um “contato de alto risco”. A transferência ocorreu após outro cidadão americano, que testou positivo para o vírus, ter sido levado para a Alemanha.
De acordo com a OMS, o surto envolve uma variante relativamente pouco conhecida do vírus, chamada Bundibugyo. A taxa de mortalidade associada a essa variante varia entre 30% e 50%, e não há vacina autorizada nem tratamento específico contra ela.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou para o risco de agravamento da crise caso não haja uma resposta internacional imediata. “Sem uma ação rápida, coordenada e em larga escala, uma crise de saúde pode transformar rapidamente a insegurança alimentar e as crises de saúde existentes em uma emergência humanitária incontrolável no leste da República Democrática do Congo e em outras regiões”.
Em resposta à emergência, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) destinou US$ 60 milhões para o combate à crise sanitária. O valor será somado aos US$ 3,9 milhões já liberados pela OMS por meio de seu fundo de emergência.
As organizações intensificaram a atuação no leste do Congo, especialmente por meio de Bunia, capital da província de Ituri e apontada como epicentro da epidemia. A cidade já recebeu e distribuiu 46 toneladas de suprimentos para diferentes comunidades afetadas.
Apesar do reforço, a Unidade de Gerenciamento de Projetos afirmou que precisa “urgentemente” de US$ 23 milhões, equivalentes a € 19,8 milhões, para ampliar suas operações logísticas e de assistência humanitária. O objetivo é atender mais de 146 mil pessoas em Ituri nos próximos três meses.
“O tempo para conter este surto é limitado. A resposta deve ser imediata e em grande escala — nas áreas da saúde, logística e assistência alimentar — para evitar consequências muito mais graves para a RDC e para a região”, disseram as autoridades de saúde.
A ONU Mulheres também alertou que os surtos de Ebola afetam as mulheres de maneira desproporcional. No surto de 2018-2019, elas representaram dois terços dos casos notificados. Em 2014, na Libéria, chegaram a constituir três quartos das vítimas em determinadas comunidades.
A agência das Nações Unidas destacou que o vírus se espalha por contato direto e atinge principalmente profissionais de saúde, funerários e trabalhadores de assistência, setores em que há forte presença feminina.



