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Lotes da Ypê produzidos antes de abril terão avaliação mês a mês da Anvisa

Agência aguarda novos laudos para decidir sobre a liberação de mais produtos da empresa

Produtos Ypê (Foto: Divulgação)
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247 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que fará uma análise gradual dos produtos da Ypê fabricados antes de abril de 2026 para decidir sobre a possível liberação de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes que permanecem suspensos. Em 29 de maio, o órgão autorizou a retomada da produção na unidade da empresa em Amparo (SP) e liberou a comercialização e o uso dos produtos fabricados a partir de 1º de abril de 2026. A decisão foi publicada após uma série de inspeções realizadas no local, informa o jornal Folha de São Paulo.

Segundo o diretor de fiscalização da Anvisa, Daniel Meirelles, a agência aguarda a apresentação de novos laudos técnicos para avaliar os produtos fabricados antes desse período. "Pretendemos liberar por mês, para comunicar melhor para a população", afirmou. A Ypê informou que encaminhará análises realizadas por laboratórios integrantes da Rede Brasileira de Laboratórios Analíticos em Saúde (Reblas), credenciados pela Anvisa. Os documentos servirão de base para a avaliação dos lotes ainda interditados.

O diretor-executivo de Operações da empresa, Eduardo Beira, afirmou que a expectativa é obter a liberação do maior número possível de produtos. "Temos nossos laudos internos, e à medida que a gente recebe as análises dos laboratórios da Reblas, fazemos a comparação. Mas se houver alguma não conformidade, vamos tomar providências", disse.

Orientação aos consumidores

A empresa orienta consumidores que possuem produtos fabricados antes de abril a aguardarem a conclusão das análises e manterem os itens armazenados. Também permanece disponível a possibilidade de troca ou ressarcimento. Segundo a companhia, a estrutura do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) foi ampliada para atender ao aumento da demanda.

Outra medida anunciada pela fabricante foi a alteração na identificação dos lotes produzidos em Amparo. Os produtos deixarão de utilizar o número final 1 e passarão a ser identificados por letras específicas para cada uma das oito fábricas instaladas no município.

Inspeções e correções

Em 7 de maio, a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos em Amparo com final de lote 1. A medida foi adotada após a identificação de falhas nos controles de qualidade.

De acordo com Daniel Meirelles, a decisão de interditar os produtos e a posterior autorização para retomada das atividades foram tomadas pelas mesmas equipes técnicas da Anvisa e dos órgãos de vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo.

"De maneira nenhuma eu vejo um excesso. Vejo um processo regular sanitário, em que a gente já vem acompanhando a empresa há muito tempo, deu diversas oportunidades para a empresa se adequar. Não se adequou. Agora, felizmente é uma outra empresa", declarou.

O diretor afirmou ainda que a companhia promoveu mudanças significativas em seus processos produtivos. Segundo ele, uma inspeção realizada no fim de abril identificou 76 pontos que exigiam correções, sendo 14 classificados como de alto risco.

"Nem tudo foi resolvido", afirmou Meirelles, acrescentando que os principais problemas foram corrigidos e que o plano de reestruturação segue em execução, o que permitiu a reabertura da unidade.

Lotes contaminados

Durante a fiscalização realizada em abril, a Anvisa informou ter encontrado mais de 140 lotes contaminados armazenados na fábrica de Amparo. Segundo Meirelles, não havia um processo adequado para descarte desses produtos, embora não exista confirmação de que os itens tenham sido comercializados. "Trabalhamos na vigilância sanitária com o princípio da precaução", afirmou.

A agência informou que os laudos referentes aos produtos fabricados em abril e maio não identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. A ausência do microrganismo foi considerada condição essencial para a liberação dos produtos produzidos após abril.

Investimentos e adequação

Eduardo Beira afirmou que a empresa cumpriu as exigências feitas pela agência reguladora após a identificação das não conformidades. "Uma vez que acontece esse tipo de inspeção e vem o relatório de não conformidades, temos justamente de nos adequar para executar aquilo que a Anvisa recomendou. Foi exatamente isso que a gente fez", disse.

O executivo também informou que permanece em andamento o plano de reestruturação do complexo industrial de Amparo, com investimentos estimados em cerca de R$ 130 milhões. Segundo ele, a companhia defende que os mesmos critérios de fiscalização sejam aplicados a todas as empresas do setor.

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