Descoberta sobre bactéria encontrada em produtos Ypê pode ajudar novas terapias
Descoberta revela mecanismo de resistência e pode orientar novos tratamentos contra infecções difíceis
247 - Uma equipe internacional de cientistas identificou um mecanismo que ajuda a explicar a resistência da bactéria Pseudomonas aeruginosa, microrganismo encontrado em produtos Ypê proibidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil. A descoberta sobre bactéria da Ypê revela como ela fortalece sua estrutura externa e pode orientar novos tratamentos contra infecções difíceis, explica o jornal O Globo.
A Pseudomonas aeruginosa é conhecida por provocar infecções hospitalares e integra a lista de 15 bactérias consideradas mais perigosas do mundo pela OMS (Organização Mundial da Saúde), devido à sua capacidade de resistir a medicamentos. O microrganismo possui uma membrana externa que funciona como uma barreira natural contra diversos remédios, incluindo antibióticos como a penicilina.
O novo estudo, liderado pelo IQF-CSIC, da Espanha, e pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, investigou como essa bactéria consegue manter sua membrana externa presa à parede celular. Ao compreender esse processo, os pesquisadores identificaram uma possível forma de fragilizar a proteção que torna a bactéria mais difícil de combater.
Segundo a pesquisa, a P. aeruginosa utiliza uma espécie de “rebite molecular” para ligar a membrana externa à parede celular, formando uma dupla barreira de defesa. Em testes in vitro, os cientistas chegaram à proteína PA2854, apontada como responsável por construir essa ligação estrutural.
Ao bloquear em laboratório a formação desse “rebite molecular”, a equipe conseguiu enfraquecer a proteção da bactéria, deixando-a mais vulnerável à ação de medicamentos. O achado é considerado relevante porque pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas contra microrganismos resistentes.
Para observar o processo em nível atômico, os pesquisadores utilizaram cristalografia de raios X de alta intensidade. A técnica permitiu analisar com precisão a estrutura envolvida na fixação da membrana externa à parede celular da bactéria.
A importância da descoberta vai além da Pseudomonas aeruginosa. De acordo com o estudo, o mesmo mecanismo também está presente em outras bactérias Gram-negativas, grupo que inclui patógenos associados a infecções de difícil tratamento. Por isso, compreender essa estrutura pode contribuir para o desenvolvimento de terapias capazes de enfraquecer diferentes bactérias multirresistentes.
A Pseudomonas aeruginosa pode ser encontrada no solo, na água e em ambientes úmidos. No caso dos produtos Ypê, a presença do microrganismo chamou atenção para sua capacidade de formar biofilmes, estruturas que ajudam a protegê-lo inclusive em contato com produtos de limpeza.
As infecções causadas por essa bactéria podem variar de quadros mais leves, como otite, a problemas graves, como infecções pulmonares e pneumonia. A dificuldade de tratamento está ligada justamente à resistência do microrganismo e à capacidade de escapar da ação de medicamentos.
A resistência aos antibióticos é hoje uma das principais preocupações da saúde pública mundial. O uso excessivo de medicamentos e a contaminação ambiental favorecem o surgimento de microrganismos capazes de resistir a múltiplos tratamentos, conhecidos como superbactérias.
O avanço desse fenômeno dificulta o combate a infecções e já está associado a milhões de mortes anuais em todo o mundo. A pesquisa conduzida pelo IQF-CSIC e pela Universidade de Notre Dame reforça a importância de novas abordagens para tornar bactérias resistentes mais vulneráveis e melhorar a eficácia dos antibióticos disponíveis.



