Ypê recua de decisão anterior e anuncia que vai retomar reembolso de produtos suspensos pela Avisa
Anvisa encontrou bactéria em mais de 100 lotes da marca; recuo aconteceu poucas horas após a empresa anunciar suspensão do reembolso
247 - A Ypê voltou atrás e anunciou que irá reembolsar consumidores que compraram produtos suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O recuo aconteceu após a fabricante retirar do ar um formulário destinado aos pedidos de devolução e, horas depois, restabelecer o atendimento.
A mudança , segundo o G1, ocorreu após a Anvisa suspender temporariamente a exigência de recolhimento imediato dos produtos enquanto avalia um plano de ação apresentado pela fabricante. A empresa havia substituído o formulário por um canal voltado apenas ao esclarecimento de dúvidas sobre os produtos afetados. Posteriormente, informou novamente que consumidores poderão solicitar troca ou devolução do dinheiro.
Consumidores poderão pedir devolução do dinheiro
Os consumidores que preencheram o formulário no site da Ypê receberam um e-mail confirmando o registro do pedido. A mensagem enviada pela empresa afirma que “em breve, a resposta será enviada por e-mail ou telefone”. O formulário solicita informações como nome completo, CPF, telefone e endereço. Também existe um campo destinado ao envio de notas fiscais ou cupons fiscais dos produtos.
Advogados ouvidos pela reportagem explicaram, porém, que a apresentação da nota fiscal não é obrigatória para o consumidor solicitar o reembolso, embora o documento possa acelerar a análise do pedido.
Entenda por que a Anvisa suspendeu os produtos
O caso teve início após inspeções realizadas na fábrica da Ypê em Amparo, no interior de São Paulo, em conjunto com órgãos de vigilância sanitária paulista. Segundo a Anvisa, a bactéria Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em mais de 100 lotes de produtos acabados da marca.
Especialistas afirmam que a bactéria é comum no ambiente e apresenta baixo risco para pessoas saudáveis. O maior perigo envolve grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra câncer, transplantados, pessoas com queimaduras, feridas ou dermatites, além de bebês e idosos fragilizados. Nesses casos, a bactéria pode causar infecções, principalmente quando há contato com mucosas, olhos ou lesões na pele.
Quais são os riscos da bactéria encontrada
A orientação geral das autoridades sanitárias é interromper imediatamente o uso dos produtos atingidos pela medida. Especialistas afirmam que pessoas que utilizaram os itens e não apresentaram sintomas não precisam procurar atendimento médico apenas por causa da exposição.
Ainda assim, a recomendação é observar sinais como irritações persistentes, secreções, febre ou problemas nos olhos. Também foi sugerida a troca de esponjas de pia usadas com os detergentes afetados e, em caso de dúvida, a relavagem de roupas íntimas, toalhas e peças de bebês com outro produto.
Ypê contesta decisão da Anvisa
A Ypê contestou as conclusões apresentadas pela Anvisa. Em nota, a empresa afirmou que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos comercializados e declarou que as imagens divulgadas da fábrica mostram áreas sem contato direto com os itens vendidos aos consumidores.
A fabricante também argumenta que o uso normal dos produtos reduz drasticamente qualquer eventual carga bacteriana. Além disso, sustenta que não há registros na literatura médica de infecções causadas por roupas lavadas com detergentes domésticos contaminados.


