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Ypê suspende ressarcimento após decisão da Anvisa

Empresa diz que vai aguardar novos laudos antes de retomar Pix a consumidores de produtos com lote final

Produtos Ypê e a Anvisa (Foto: Reprodução I Divulgação)
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247 - A Ypê suspendeu o ressarcimento a consumidores após a Anvisa interromper a obrigação de recolhimento imediato de produtos com lote final 1, entre eles detergentes, sabões líquidos e desinfetantes. As informações são do Portal G1

A decisão saiu nesta sexta-feira (15), após reunião da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Anvisa manteve a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos da marca com lote final 1, mas determinou que a empresa apresente antes um plano de ação para o eventual recolhimento.

A medida ocorre depois de uma fiscalização da Anvisa confirmar denúncias feitas pela concorrente Unilever sobre a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da Ypê. A investigação também apontou falhas no processo de fabricação e identificou lotes contaminados durante vistoria realizada em abril.

O diretor-executivo de assuntos jurídicos e corporativos da Ypê, Sergio Pompilio, afirmou em entrevista ao G1 que a empresa só pretende retomar a discussão sobre pagamento por Pix aos clientes depois da conclusão de novos laudos técnicos.

“A decisão de hoje não obriga a empresa a fazer esse ressarcimento. O que está valendo hoje é exatamente a suspensão de uso. (...) Se o laudo vindo de um laboratório autorizado pela Anvisa disser que os produtos fabricados, por exemplo, em um determinado período, eles não estão aptos ao uso, aí eu vou começar a falar de recolhimento, aí eu vou voltar a falar de Px”, disse Sergio Pompilio.

Antes da decisão da Anvisa, a Ypê havia aberto um canal em seu site para consumidores solicitarem ressarcimento. O formulário pedia nome completo, CPF, telefone, e-mail, endereço, informações sobre o produto e chave Pix para recebimento do valor.

A Ypê afirma que seus produtos são seguros

Em nota divulgada após a reunião da Anvisa, a Ypê afirmou que seus controles e análises internas indicam segurança para os consumidores. A empresa também propôs novos testes em todos os lotes já colocados no mercado, por meio de laboratórios independentes autorizados pela agência.

“Não tivemos, até hoje, nenhum acidente de consumo relacionado à utilização do nosso produto com essa contaminação”, afirmou Sergio Pompilio.

A fabricante declarou que pretende comprovar a segurança dos itens e obter a liberação para uso “o mais rápido possível”. Até lá, a empresa recomenda que consumidores mantenham guardados os lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1.

“O que está valendo hoje, e a nossa recomendação para o consumidor, é exatamente a suspensão de uso”, afirmou Pompilio. “Até que haja comprovação, se o laudo de um laboratório autorizado pela Anvisa indicar que os produtos fabricados em determinado período não estão aptos ao uso, passaremos a tratar de recolhimento”, acrescentou.

Produtos com lote final 1 não devem ser devolvidos agora

A Ypê reforçou que os produtos com lote final 1 não precisam ser devolvidos neste momento. A orientação atual, segundo a empresa, recomenda apenas a suspensão do uso por precaução até que novos laudos indiquem ausência de contaminação.

A companhia também informou que outros itens da marca continuam liberados para venda e uso. A lista inclui lava-roupas em pó Tixan e Ypê Power Act, lava-louças para máquina Ypê, amaciantes, multiuso, água sanitária, alvejantes, cloro gel, sabões em barra, tira-manchas Tixan, limpadores perfumados, lã de aço Assolan, esponjas, saponáceo e lustra-móveis Ypê.

A empresa acrescentou que todos os produtos sem final 1 no lote permanecem liberados para uso.

Ypê contesta interpretação sobre lotes encontrados na fábrica

Durante a fiscalização de abril, a Anvisa identificou mais de 100 lotes com presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa. Pompilio afirmou que a própria Ypê apresentou esses itens aos fiscais como forma de demonstrar que a empresa separa produtos fora do padrão antes da destruição.

“Esses 100 lotes que foram identificados, na verdade, foram apresentados pela própria equipe da Ypê à fiscalização como forma de demonstrar que, quando um produto sai do nosso processo fabril não conforme, ele é segregado e, após um processo interno, ele será destruído”, detalhou.

Segundo o diretor, a divergência entre a empresa e a Anvisa envolve o procedimento de segregação adotado pela fabricante. Ele afirmou que a agência não considera esse processo adequado e que esse ponto motivou o apontamento regulatório.

Na nota, a Ypê declarou que segue trabalhando com a Anvisa e reafirmou compromisso com qualidade, transparência e segurança dos consumidores.

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