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Marcos Caseiro sobre caso Ypê: “Chegamos a um nível de idiotice assustador”

Médico infectologista e vereador do PT critica ataques bolsonaristas à Anvisa, defende a ciência e alerta para avanço do negacionismo

Médico infectologista Marcos Caseiro (Foto: Reprodução)
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247 - O médico infectologista e vereador pelo PT de Santos Marcos Caseiro criticou os ataques contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária após a fiscalização envolvendo produtos da marca Ypê. Em entrevista à TV 247, Caseiro afirmou que o Brasil vive um ambiente de desinformação e negacionismo impulsionado pela extrema direita.

“Chegamos a um nível de idiotice que é assustador”, declarou o infectologista, enfatizando que a atuação da Anvisa no caso seguiu protocolos técnicos normais de vigilância sanitária e não possui qualquer motivação política, como sustentaram setores bolsonaristas nas redes sociais.

“Eles foram numa indústria fazer, obviamente, aquilo que toda vigilância sanitária tem que fazer”, afirmou.

Caseiro explicou que a fiscalização encontrou problemas graves na estrutura industrial e risco de contaminação.

“Encontraram contaminação para pseudomonas, encontraram toda uma linha de produção totalmente deteriorada e simplesmente fizeram uma notificação”, disse.

Nos últimos dias, influenciadores e parlamentares bolsonaristas passaram a atacar a Anvisa e a minimizar a gravidade das irregularidades encontradas. Em alguns vídeos que circularam nas redes sociais, apoiadores chegaram a simular o consumo de detergente para desacreditar os alertas sanitários.

Para Caseiro, esse comportamento reflete um fenômeno perigoso de radicalização política e negação da ciência.

“É inacreditável as pessoas imaginarem que isso tem a ver com politização”, afirmou.

Ao comentar o avanço de discursos anticientíficos, o vereador relatou episódios de enfrentamento ao negacionismo dentro da própria Câmara Municipal de Santos.

“Eu pus uma régua. Naquelas bobagens negacionistas, isso acabou, porque eu desço o cacete, ninguém fala mais”, declarou.

Caseiro contou ainda que costuma responder diretamente parlamentares bolsonaristas que difundem desinformação sobre vacinas e saúde pública.

“Eu falei para um vereador do PL: ‘é preciso estudar, cara. Estudar cansa, mas é necessário’”, disse.

Segundo ele, parte da extrema direita mistura deliberadamente informações falsas para desacreditar instituições públicas e criar confusão entre a população.

Durante a entrevista, o infectologista também comentou críticas feitas por bolsonaristas à fiscalização sobre carnes brasileiras exportadas para a Europa. Ele explicou que a discussão sobre resíduos de antibióticos envolve protocolos sanitários internacionais e não possui relação com perseguição política.

“Quem faz a contaminação? É o Lula? Não. Quem faz isso são esses agropecuaristas que utilizam desses expedientes para melhorar produtividade”, afirmou.

Caseiro alerta para risco de novas epidemias

Especialista em infectologia, Marcos Caseiro também falou sobre os riscos de novas crises sanitárias globais e defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e das estruturas de vigilância epidemiológica.

Segundo ele, a circulação internacional de pessoas e o avanço do desmatamento aumentam as chances de disseminação de novos vírus.

“Hoje, você pega um avião lá na África contaminado e você viaja oito horas num avião, vai parar aqui em São Paulo”, alertou.

Para Caseiro, órgãos como a Anvisa e a vigilância epidemiológica são fundamentais para proteger a população. “É isso que a gente tem que agradecer”, concluiu.

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