Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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China inaugura a maior fábrica mundial de fibra de vidro eletrônica

Unidade em Huaian produz 390 mi de metros por ano, 9% do mercado global, e opera com parque eólico de 233 MW que evita 400 mil toneladas de CO₂

Bandeira da China em Pequim - 20/11/2025 (Foto: REUTERS/Maxim Shemetov)

247 - Na cidade de Huaian, província de Jiangsu, a China colocou em operação a maior linha de produção de fibra de vidro de grau eletrônico do planeta — com capacidade anual de 390 milhões de metros, equivalente a 9% de toda a demanda mundial pelo material. O parque industrial é abastecido por um complexo eólico de 233 megawatts que gera mais de 600 milhões de quilowatts-hora por ano, energia capaz de suprir cerca de 140 mil residências e reduzir as emissões de carbono em mais de 400 mil toneladas anuais. As informações foram divulgadas pela CGTN, emissora parceira da TV BRICS.

O lançamento, segundo a CGTN, representa um avanço concreto na estratégia chinesa de autossuficiência em materiais eletrônicos de base. A fibra de vidro de grau eletrônico é o insumo central na fabricação das placas de circuito impresso — as PCBs, do inglês printed circuit board —, estruturas que garantem a conexão elétrica e mecânica entre componentes eletrônicos. Sem elas, nenhum microchip opera.

A unidade reúne um conjunto de tecnologias desenvolvidas integralmente no país. A planta conta com composições de vidro de alta eficiência, fornos de grande escala com baixo consumo energético e sistemas de combustão que integram oxigênio e combustível de maneira otimizada — soluções que posicionam a instalação em um nível de desempenho inédito para o setor globalmente.

A dimensão ambiental do projeto também chama atenção. Gu Jianding, responsável pela base industrial, foi direto ao destacar o modelo energético adotado: "Atualmente, a instalação opera totalmente com energia limpa." Todo o abastecimento vem do parque eólico dedicado ao complexo, cujos números de geração e redução de emissões colocam a unidade entre as operações industriais de grande escala com menor pegada de carbono no setor.

Os produtos fabricados em Huaian têm destino definido em segmentos de alto valor estratégico: veículos de nova energia, sistemas fotovoltaicos e a economia de baixa altitude — ecossistema voltado a drones, aeronaves não tripuladas e toda a infraestrutura que opera no espaço aéreo próximo ao solo para fins comerciais e logísticos.

O projeto é visto como peça-chave no avanço da independência tecnológica chinesa em materiais eletrônicos de alta qualidade. Seus desdobramentos são esperados em setores que estão no epicentro da corrida tecnológica global: servidores de inteligência artificial, chips de alto desempenho e sistemas de comunicação em alta frequência — todos dependentes, em algum grau, da fibra de vidro eletrônica como matéria-prima estrutural.

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