Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Chineses criam 1º catálogo completo de vulcões subglaciais da Antártica

A análise apontou variação nos parâmetros geométricos e na distribuição dos vulcões

Antártida (Foto: Huang Taoming / Xinhua)

247 - Um grupo internacional de pesquisadores concluiu a elaboração do primeiro catálogo abrangente de vulcões subglaciais da Antártica, denominado ANT-SGV-25. O arquivo reúne informações sobre 207 objetos vulcânicos conhecidos, que estão sob a espessa camada de gelo do continente. As informações foram publicadas pela Xinhua News Agency, parceira da rede TV BRICS.

A análise apontou variação nos parâmetros geométricos e na distribuição dos vulcões. As alturas variam de 100 metros a mais de 4 mil metros, com volumes entre 1 km³ e cerca de 3 mil km³, e inclinação média de aproximadamente 8 graus. Pesquisas históricas sempre foram dificultadas pela grande espessura do gelo antártico, que apresenta cerca de 2 mil metros em média e chega a quase 5 mil metros na região da Terra de Wilkes, na Antártica Oriental.

A maioria absoluta dos vulcões, 204, está concentrada no sistema de rifte da Antártica Ocidental, região de alongamento da crosta terrestre, enquanto apenas três foram identificados na Antártica Oriental.

O estudo sistematizou dados científicos previamente dispersos, preenchendo uma lacuna relevante no conhecimento da geologia antártica. O projeto foi coordenado pelo Instituto de Pesquisa Polar da China, com a participação de universidades como Zhejiang e Fudan.

"Pesquisas recentes indicam que os vulcões sob o espesso manto de gelo podem modificar o relevo do leito subglacial, acelerar o derretimento basal, regular a atividade hidrológica abaixo do gelo e, em última instância, influenciar a dinâmica das geleiras e a estabilidade da camada de gelo", afirmou Cui Xiangbin, chefe do projeto e pesquisador do Centro de Pesquisas de Gelo Polar e Mudanças Climáticas do instituto chinês.

Durante o estudo, os cientistas empregaram tecnologias de visão computacional, que utilizam inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos.

Foram identificadas características morfológicas, como tamanho, forma e ângulo das encostas, criando uma base sólida para a classificação dos vulcões, análise de sua origem e avaliação de seus impactos. Segundo o pesquisador, o catálogo apresenta um sistema detalhado de parâmetros para cada vulcão.

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