Nathalia Urban por Milenna Saraiva

Esta seção é dedicada à memória da jornalista Nathalia Urban, internacionalista e pioneira do Sul Global

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Indonésia negocia exportação de fertilizantes para o Brasil

País pode fornecer até 1 milhão de toneladas anuais ao mercado externo

Nitrato de amônio (Foto: Abisolo/Divulgação)

247 - A Indonésia iniciou negociações com Brasil, Índia e outros países para ampliar o fornecimento de fertilizantes à base de ureia. Segundo o ministro da Agricultura, Andi Amran Sulaiman, o país tem capacidade para destinar até 1 milhão de toneladas por ano ao mercado internacional. A informação foi divulgada pela Antara News e pela TV BRICS

De acordo com o ministro, os países interessados já formalizaram pedidos, enquanto as tratativas seguem em curso. A demanda total é estimada em pelo menos 750 mil toneladas. A Índia solicitou 500 mil toneladas, enquanto o volume pretendido pelo Brasil ainda está em definição. A Tailândia também aparece como potencial importadora.

Sulaiman destacou que a Indonésia possui capacidade anual de produção de ureia de cerca de 7,8 milhões de toneladas, frente a uma demanda interna de aproximadamente 6 milhões. Ele ressaltou que o aumento da procura global por fertilizantes abre espaço para a expansão das exportações, mas reforçou que a segurança alimentar nacional e os interesses dos agricultores seguem como prioridade.

Dados recentes indicam que, em 2025, as exportações de produtos agrícolas da Indonésia alcançaram 167 trilhões de rupias indonésias (cerca de R$ 46 bilhões), enquanto as importações recuaram 41 trilhões de rupias (aproximadamente R$ 11 bilhões). O resultado ampliou o superávit comercial e evidenciou o fortalecimento da competitividade do setor agrícola.

Os países do BRICS vêm intensificando a cooperação no segmento de fertilizantes químicos, considerados um pilar essencial para a segurança alimentar global.

A Índia, tradicionalmente um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo, também avança na adoção de alternativas mais sustentáveis. A IANS, parceira da TV BRICS, informou que o Departamento de Fertilizantes do Ministério de Produtos Químicos da Índia organizou, no âmbito da Missão Nacional de Hidrogênio Verde, a assinatura de acordos entre fabricantes de fertilizantes e fornecedores de amônia verde.

Os contratos firmados têm prazo de dez anos e preços fixos para o fornecimento de amônia verde. A iniciativa deve contribuir para estabilizar a produção interna de fertilizantes fosfatados e potássicos, além de proteger os agricultores da volatilidade de preços. Produzida a partir de fontes como energia solar e eólica, a amônia verde permite reduzir significativamente a pegada de carbono.

Outro avanço relevante vem de uma colaboração científica entre China e Rússia. Segundo a Universidade Russa da Amizade dos Povos, pesquisadores identificaram que melhorias na organização das folhas das plantas podem elevar em cerca de 33% a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja.

Com base em 16 anos de dados de satélite e no uso de inteligência artificial, os cientistas desenvolveram um índice capaz de medir a eficiência da distribuição das folhas na captação de luz. O método também contribui para reduzir as emissões de óxido nitroso, um gás de efeito estufa cujo impacto no aquecimento global é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono.

Se aplicada em escala global, a tecnologia poderá elevar a produção de alimentos em aproximadamente 336 milhões de toneladas por ano — volume suficiente para alimentar cerca de 800 milhões de pessoas — além de reduzir em 41,6% as emissões de óxido nitroso.

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