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Mistério do pulso da Terra volta a viralizar

Fenômeno registrado desde os anos 1960 segue sem explicação definitiva pela ciência

Mistério do pulso da Terra volta a viralizar (Foto: Brasil 247)

247 - O chamado “pulso da Terra”, um fenômeno sísmico caracterizado por vibrações que se repetem a cada 26 segundos, voltou a ganhar destaque nas redes sociais, impulsionado por publicações que o apresentam como uma descoberta recente. No entanto, esse comportamento da crosta terrestre já é conhecido pela comunidade científica há mais de seis décadas e permanece sem uma explicação conclusiva, relata o jornal O Globo.

O fenômeno foi identificado pela primeira vez no início dos anos 1960 pelo geofísico Jack Oliver, da Universidade Columbia, e desde então tem sido registrado por estações sismológicas ao redor do mundo como um tipo de microtremor imperceptível aos seres humanos.

Origem ainda é alvo de debate

As medições indicam que esses sinais sísmicos apresentam uma regularidade incomum, semelhante a um metrônomo natural. Estudos posteriores apontaram que a origem mais provável estaria no Golfo da Guiné, na costa oeste da África, especialmente na região conhecida como Bight of Bonny.

A partir dessa localização, cientistas passaram a desenvolver diferentes hipóteses para explicar o fenômeno. Uma das mais aceitas sugere que o “pulso” estaria relacionado à interação entre ondas oceânicas e a plataforma continental. Nesse modelo, o impacto contínuo das ondas no fundo do mar geraria uma espécie de ressonância, capaz de produzir vibrações regulares que se propagam pela crosta terrestre.

Outra hipótese considera a possibilidade de ligação com atividade vulcânica próxima à ilha de São Tomé, também situada no Golfo da Guiné. A teoria ganhou relevância devido à proximidade geográfica entre os registros sísmicos e áreas vulcânicas conhecidas, além de semelhanças com microtremores observados em regiões como o Japão.

Novas hipóteses científicas

Pesquisas mais recentes passaram a considerar uma terceira explicação: a circulação de fluidos em fissuras subterrâneas no fundo oceânico. Nesse cenário, a pressão acumulada em sedimentos ricos em água seria liberada periodicamente, provocando os tremores em intervalos regulares.

Apesar das diferentes linhas de investigação, nenhuma delas foi comprovada de forma definitiva até o momento. Para o geólogo Lars Eivind Augland, da Universidade de Oslo, o aspecto mais intrigante é justamente a constância do fenômeno. “É notável que esses tremores ocorram de maneira tão constante por tantas décadas”, afirmou.

Fenômeno conhecido, mas pouco prioritário

Mesmo despertando curiosidade científica, o “pulso da Terra” não figura entre as principais prioridades da pesquisa sísmica global. Eventos com maior potencial de impacto, como terremotos e atividades tectônicas destrutivas, acabam concentrando mais recursos e atenção.

O tema voltou a ganhar interesse em 2005, quando pesquisadores da Universidade do Colorado utilizaram dados digitais mais avançados para reanalisar o fenômeno. Ainda assim, o avanço tecnológico não foi suficiente para resolver o enigma, que segue intrigando cientistas e o público em geral.

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