A justificativa de árbitro da Copa acusado de fazer gesto supremacista
A Fifa ainda deve se manifestar oficialmente sobre o caso por meio de seu Comitê Disciplinar, que analisa a situação envolvendo o árbitro
247 - O árbitro australiano Shaun Evans negou ter feito de forma intencional um gesto associado a movimentos supremacistas durante a partida entre Alemanha e Curaçao, válida pela primeira rodada da Copa do Mundo de 2026. Em comunicado enviado pela Fifa ao Estadão, o juiz afirmou que o movimento registrado pela transmissão foi involuntário e disse lamentar a interpretação gerada pelo episódio.
As informações são da CNN Brasil. A Fifa ainda deve se manifestar oficialmente sobre o caso por meio de seu Comitê Disciplinar, que analisa a situação envolvendo o árbitro.
A polêmica começou após imagens da transmissão mostrarem Evans fazendo um sinal com a mão durante o jogo. O gesto, semelhante ao símbolo de “OK”, com polegar e indicador unidos e a mão voltada para baixo, foi associado nas redes sociais a um sinal usado por grupos supremacistas, por formar as letras “WP”, referência à expressão “White Power”.
Em sua declaração, Evans rejeitou qualquer intenção política, ideológica ou discriminatória. “Gostaria de esclarecer que não fiz nenhum gesto ou símbolo com a mão intencionalmente para comunicar uma mensagem, afiliação, jogo ou crença de qualquer tipo.”
O árbitro afirmou que só percebeu a repercussão após a partida e atribuiu o movimento a uma reação corporal involuntária. “A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente, e eu não tinha consciência de tê-lo feito naquele momento. Imagens capturadas posteriormente durante a partida mostraram que repeti esse movimento diversas vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos.”
Evans também criticou a forma como o episódio passou a ser tratado publicamente. Segundo ele, a cobertura sobre o caso não corresponde à sua conduta nem à sua trajetória profissional. “A cobertura jornalística após este incidente simplesmente não reflete quem eu sou. É claro que entendo como o gesto foi interpretado e lamento isso, porém quero deixar bem claro e afirmar categoricamente que não fiz o gesto com a mão sugerido de forma consciente ou deliberada.”
O árbitro encerrou a manifestação ressaltando a importância de participar da Copa do Mundo. “Atuar como árbitro na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira e estou ansioso para apoiar meus colegas durante o restante do torneio.”
O gesto atribuído a movimentos supremacistas foi incluído em 2019 pela Liga Antidifamação, ONG conhecida pela sigla ADL, em uma lista de símbolos de ódio. A entidade passou a monitorar o uso do sinal em contextos extremistas, embora o mesmo movimento também possa aparecer em situações sem conotação política ou discriminatória.
A análise da Fifa será decisiva para definir se haverá algum tipo de consequência disciplinar. Até o momento, a entidade apenas encaminhou o comunicado de Evans e informou que o caso está sob avaliação do Comitê Disciplinar.
Shaun Evans tem 38 anos e é árbitro Fifa desde 2017. Ele integra desde 2008 o painel de arbitragem da A-League, principal divisão do futebol australiano. Entre 2012 e 2013, passou por funções de assistente e depois de árbitro principal.
A trajetória profissional de Evans também chama atenção por sua mudança de carreira. Antes de se tornar árbitro em tempo integral, em 2016, ele conciliava a atuação no futebol com o trabalho de pedreiro.
O episódio ocorre em meio à forte exposição internacional da arbitragem durante a Copa do Mundo. Em competições desse porte, gestos, decisões e imagens de campo costumam ganhar grande repercussão, especialmente quando envolvem temas sensíveis como racismo, discriminação e símbolos de ódio.
Enquanto aguarda a avaliação da Fifa, Evans sustenta que não houve intenção deliberada e afirma desejar seguir colaborando com os demais árbitros ao longo do torneio.



