Anielle cobra ação da FIFA após árbitro fazer suposto gesto associado ao supremacismo branco na Copa
Ex-ministra afirma que episódio reforça ambiente de racismo e discriminação que vem marcando o torneio nos Estados Unidos.
247 - A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco elevou o tom das críticas à FIFA após a divulgação de imagens que mostram o árbitro de vídeo australiano Shaun Evans fazendo um gesto associado internacionalmente a grupos supremacistas brancos durante a partida entre Alemanha e Curaçao, pela Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos.
Para Anielle, o caso é mais um capítulo de uma sequência preocupante de episódios de discriminação que vêm marcando o torneio e exigem uma resposta firme da entidade máxima do futebol mundial.
"Ver um árbitro de vídeo, que deveria ser quem garante as regras, fazendo um gesto supremacista em plena transmissão oficial mostra o quanto ainda temos que avançar como humanidade. A FIFA precisa agir imediatamente para que esses espaços sejam democráticos", afirmou.
A declaração ocorre em meio a uma série de denúncias envolvendo racismo, xenofobia e tratamento discriminatório contra delegações, árbitros e jornalistas durante a competição. Nos últimos dias, Anielle já havia classificado os episódios registrados nos Estados Unidos como manifestações de "intolerância, racismo e xenofobia" e defendido uma postura mais firme da FIFA diante dos casos.
Segundo a ex-ministra, permitir que atitudes dessa natureza ocorram sem punição compromete o papel do esporte como espaço de integração entre os povos.
"O esporte é feito para unir e emocionar. Esportes salvam vidas. Permitir ações como essa é violento, inadmissível e destrói o futebol", declarou.
O posicionamento de Anielle ocorre justamente no momento em que cresce a pressão internacional sobre o presidente da FIFA, Gianni Infantino, acusado por críticos de adotar uma postura leniente diante dos sucessivos episódios de discriminação registrados durante o torneio.
Ao longo de sua passagem pelo Ministério da Igualdade Racial, Anielle liderou iniciativas como o programa Esporte sem Racismo e articulou ações com a CBF, a Conmebol e organismos internacionais para endurecer o combate à discriminação nos estádios. A ex-ministra sustenta que o enfrentamento ao racismo no futebol exige punições efetivas e compromisso político das instituições esportivas.
"Continuaremos lutando para que o racismo seja combatido. Não importa onde estejamos. Racismo é crime", afirmou.



