África do Sul faz história e avança pela primeira vez ao mata-mata da Copa do Mundo
Gol de Thapelo Maseko garante vitória por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul e coloca os Bafana Bafana nas oitavas, onde enfrentarão o Canadá
247 – A seleção da África do Sul escreveu um dos capítulos mais importantes de sua história no futebol ao se classificar pela primeira vez para a fase eliminatória de uma Copa do Mundo. Com gol de Thapelo Maseko aos 63 minutos, os Bafana Bafana venceram a Coreia do Sul por 1 a 0 no Monterrey Stadium, em Guadalupe, e garantiram vaga no mata-mata do Mundial.
A informação foi publicada pelo Daily Maverick, que destacou o feito histórico da equipe comandada pelo técnico Hugo Broos. Em sua quarta participação em Copas do Mundo, a África do Sul finalmente superou a barreira da fase de grupos, um objetivo que havia escapado nas campanhas anteriores.
Com o resultado, os sul-africanos terminaram o Grupo A na segunda colocação, com quatro pontos. O México liderou a chave com nove pontos após derrotar a Tchéquia por 3 a 0 na rodada final. Agora, a África do Sul enfrentará o Canadá na próxima fase.
A classificação também prolonga, ao menos por mais uma partida, o ciclo de Hugo Broos no comando dos Bafana Bafana. O treinador belga deve deixar o cargo ao fim do torneio, mas agora terá a chance de liderar a seleção em um confronto eliminatório inédito na história do país.
O gol que mudou a história
O personagem central da noite foi Thapelo Maseko. O atacante, que atua no futebol do Chipre, marcou o gol decisivo em um momento de enorme pressão para a África do Sul. Após cruzamento de Tshepang Moremi, que havia entrado no segundo tempo, Maseko dominou e finalizou para colocar sua seleção em vantagem.
O gol teve peso especial não apenas para a seleção, mas também para a trajetória pessoal do jogador. Maseko havia feito parte do elenco sul-africano que conquistou o bronze na Copa Africana de Nações de 2023, mas uma lesão sofrida durante o torneio interrompeu sua ascensão. Depois disso, enfrentou dificuldades para recuperar forma física e espaço no Mamelodi Sundowns, sendo relegado ao time reserva.
Em meio ao período mais difícil da carreira, Maseko escreveu nas redes sociais: “Nem sei quando isso começou, mas ultimamente é como se o fogo dentro de mim estivesse se apagando. Eu ainda treino como se minha vida dependesse disso. Mas, por dentro, parece vazio.”
A retomada começou em janeiro de 2026, quando o Limassol, do Chipre, ofereceu ao jogador uma saída por empréstimo. Sua estreia pelo clube, em fevereiro, marcou seu primeiro início como titular em uma partida competitiva em quase dois anos. Depois daquele jogo, ele publicou: “662 dias sem começar como titular… aprendi paciência… aprendi humildade… aprendi quem eu sou. A noite passada significou mais do que palavras conseguem explicar.”
Meses depois, Maseko se tornou o autor do gol mais importante da história recente da seleção sul-africana.
Broos muda a estrutura e aposta no ataque
A África do Sul entrou em campo sabendo que apenas a vitória garantiria a classificação à segunda fase. Diante desse cenário, Hugo Broos adotou a postura mais ofensiva de sua campanha no torneio.
O técnico abandonou a formação com três meio-campistas centrais em linha e apostou em dois volantes e um armador, função entregue a Relebohile Mofokeng. O jovem, muito elogiado no futebol sul-africano, ganhou sua primeira oportunidade como titular na Copa.
Mofokeng não havia atuado contra o México e entrou apenas no início do segundo tempo diante da Tchéquia. Contra a Coreia do Sul, começou jogando e teve atuação decisiva na construção ofensiva, sendo uma fonte constante de preocupação para a defesa adversária.
A escolha de Broos indicava claramente que os Bafana Bafana não jogariam pelo empate. Era uma partida de sobrevivência, mas também de afirmação histórica.
Coreia do Sul prometia buscar a vitória
A Coreia do Sul também chegou à partida com chance de classificação. Diferentemente dos sul-africanos, os asiáticos sabiam que um empate poderia ser suficiente para avançar. Ainda assim, antes do jogo, o atacante Cho Gue-sung afirmou à Fifa Media que a equipe não entraria em campo para administrar o resultado.
“Como jogadores, estamos tentando melhorar o ambiente dentro da equipe. Estamos tratando a partida contra a África do Sul como se fosse absolutamente o último jogo. Todos sabem muito bem que é uma partida incrivelmente importante. Muita gente parece achar que podemos avançar mesmo com um empate. Mas não vamos jogar por um ponto. Nosso único foco é vencer e garantir a classificação. Precisamos conquistar os três pontos”, disse Cho.
A postura inicial confirmou a declaração. Logo aos dois minutos, a Coreia criou a primeira finalização da partida em cobrança de escanteio. Kim Min-jae, capitão na noite, cabeceou após cruzamento, mas a bola foi bloqueada pelo lateral-esquerdo Aubrey Modiba.
Depois desse lance, porém, a África do Sul passou a controlar as principais ações ofensivas do primeiro tempo.
Pressão sul-africana no primeiro tempo
Apesar do discurso agressivo dos sul-coreanos, a equipe asiática passou boa parte da etapa inicial tentando absorver a pressão. A estratégia parecia explorar a necessidade urgente da África do Sul de buscar a vitória.
Os Bafana Bafana criaram sua primeira grande chance na metade do primeiro tempo. Mofokeng encontrou Maseko com um passe perfeito em profundidade, mas o atacante não conseguiu ajustar rapidamente os pés, e sua finalização acabou bloqueada.
Pouco depois, o meio-campista Thalente Mbatha arriscou um de seus conhecidos chutes de longa distância. O goleiro Kim Seung-gyu espalmou para a frente, deixando a bola no caminho do centroavante Evidence Makgopa. O atacante, no entanto, não conseguiu completar com precisão e acabou devolvendo a bola para as mãos do goleiro de perto. Makgopa, de todo modo, parecia estar em posição de impedimento, o que tornou desnecessária qualquer intervenção do árbitro de vídeo.
Ao fim do primeiro tempo, a superioridade sul-africana era clara. A África do Sul havia finalizado 11 vezes contra o gol sul-coreano, embora apenas três chutes tenham ido na direção da meta. A Coreia do Sul, por sua vez, concluiu três vezes contra Ronwen Williams, sem acertar o alvo.
Maseko decide e Broos administra a vantagem
O segundo tempo começou com maior intensidade da Coreia do Sul, impulsionada pela entrada de seu capitão e principal referência técnica, Son Heung-min. A presença de Son deu mais dinamismo aos asiáticos, e a partida ganhou ritmo mais aberto.
Depois de uma sequência de ataques alternados, a África do Sul encontrou o gol decisivo. Tshepang Moremi cruzou com qualidade, e Maseko apareceu para controlar e finalizar, fazendo 1 a 0 aos 63 minutos.
A partir daí, os comandados de Hugo Broos passaram a administrar o resultado com eficiência. A missão era resistir à pressão sul-coreana e proteger uma vantagem que valia um lugar inédito no mata-mata da Copa do Mundo.
O apito final confirmou a façanha: pela primeira vez, a África do Sul estará em uma fase eliminatória do Mundial.
Histórico contra seleções africanas pesou para a Coreia
A Coreia do Sul chegou ao confronto com retrospecto irregular contra seleções africanas em Copas do Mundo. Antes do jogo contra a África do Sul, havia enfrentado equipes do continente quatro vezes no torneio, com uma vitória, um empate e duas derrotas.
O único triunfo sul-coreano sobre uma seleção africana havia ocorrido contra Togo, por 2 a 1, na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. As derrotas vieram diante da Argélia, em 2014, e de Gana, em 2022. Em 2010, na Copa sediada justamente pela África do Sul, os sul-coreanos empataram em 2 a 2 com a Nigéria.
A eliminação parcial ou a dependência de outros resultados frustra uma campanha que havia começado com força nas Eliminatórias. A Coreia do Sul chegou ao Mundial após uma trajetória invicta de 16 partidas, com 11 vitórias, 40 gols marcados e apenas oito sofridos, terminando seis pontos à frente da Jordânia.
Agora, os sul-coreanos terão de aguardar os resultados de outros grupos para saber se ainda mantêm alguma chance de avançar como uma das seleções classificadas por critério adicional, caso o regulamento permita.
Para a África do Sul, no entanto, a noite foi de celebração plena. Os Bafana Bafana romperam uma barreira histórica, transformaram pressão em afirmação e agora encaram o Canadá com a confiança de quem já entrou para a história do futebol sul-africano.



