HOME > 247 na Copa

CBF desiste de prever retorno de Neymar na primeira fase e futuro de atleta é incerto

Neymar completa nesta quarta-feira um mês sem atuar ou realizar atividades no campo

CBF desiste de prever retorno de Neymar na primeira fase e futuro de atleta é incerto (Foto: REUTERS/Dylan Martinez)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A CBF passou a tratar com mais cautela a situação de Neymar na Copa do Mundo de 2026 e já não trabalha publicamente com uma previsão para o retorno do camisa 10 ainda na primeira fase. O atacante, que tem recuperação lenta de uma lesão na panturrilha direita, também deve ficar fora da partida contra o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C.

As informações são do O Globo. Segundo a reportagem, Neymar completa nesta quarta-feira um mês sem atuar ou realizar atividades no campo. A expectativa inicial da comissão técnica era que o jogador pudesse avançar no processo de recuperação nesta semana, mas ele não participou dos trabalhos no gramado e segue sob os cuidados do departamento médico da seleção brasileira.

Nos bastidores, a avaliação é que a prioridade neste momento é evitar qualquer risco de agravamento da lesão. A presença de Neymar em campo só deverá ser considerada caso haja uma necessidade extrema, cenário que, internamente, é visto como mais provável apenas em uma eventual fase de mata-mata.

O atacante passou por novos exames de imagem para acompanhar a evolução da lesão, assim como havia ocorrido na semana anterior. O resultado foi considerado satisfatório, mas ainda insuficiente para que ele fosse liberado para a etapa seguinte da recuperação.

Atualmente, Neymar realiza atividades complementares de musculação e segue entregue ao departamento médico. Antes de voltar a treinar normalmente com o restante do elenco, ele ainda precisa passar por uma fase de preparação física no campo e, posteriormente, retomar os trabalhos com bola junto aos demais jogadores.

Mesmo que apresente evolução nos próximos dias, o prazo de três semanas estimado pelo médico da seleção, Rodrigo Lasmar, não deve garantir que Neymar esteja em boas condições para enfrentar o Haiti. Caso avance no processo de recuperação, a possibilidade mais concreta seria uma eventual participação contra a Escócia, no terceiro jogo do Brasil no Grupo C, marcado para o dia 24.

Menos clareza sobre o tratamento

A situação do camisa 10 também provocou uma mudança na forma como a CBF passou a lidar com as informações sobre sua recuperação. Diante da pressão pelo retorno do jogador e da tensão em torno do início da campanha brasileira, a entidade reduziu a transparência que havia adotado quando recebeu Neymar, então vindo do Santos.

O acompanhamento passou a ser conduzido de maneira mais reservada pelos profissionais da seleção. A tendência é que novas informações só sejam divulgadas caso haja um avanço relevante no tratamento, para evitar a criação de novas expectativas sobre uma volta imediata.

A postura, no entanto, tem gerado críticas internas na ala política da CBF. A falta de clareza sobre a evolução clínica de Neymar ampliou a cobrança em torno da entidade, especialmente após a estreia ruim do Brasil contra Marrocos.

Na última sexta-feira, antes da primeira partida da seleção na Copa, o técnico Carlo Ancelotti afirmou que Neymar estava próximo de voltar ao convívio do grupo. Na ocasião, o treinador disse que a comissão técnica esperava contar com o atacante já na semana seguinte.

“Neymar está trabalhando, com foco. A expectativa é que recupere e seja integrado ao grupo na próxima semana. Ele tem qualidade técnica indiscutível, mas também experiência, importante para o grupo”, afirmou Ancelotti.

A declaração aumentou a expectativa sobre uma possível volta do camisa 10 ainda na primeira fase. Agora, porém, a avaliação interna é que o tema precisa ser tratado com mais cautela para evitar que a situação de Neymar se transforme em mais um foco de pressão sobre a seleção brasileira.

Blindagem aumenta após estreia ruim

O desempenho abaixo do esperado contra Marrocos também fez a seleção brasileira reforçar a estratégia de isolamento na preparação para o duelo com o Haiti. Nos bastidores, há a percepção de que a abertura das últimas semanas acabou sendo usada como combustível para críticas aos jogadores e ao trabalho de Carlo Ancelotti.

A blindagem, que já era significativa desde a chegada da delegação aos Estados Unidos, deve aumentar nos próximos dias. A ideia é reduzir a exposição de parte do elenco em entrevistas coletivas no centro de treinamento.

O excesso de declarações dadas à Fifa e à imprensa após a estreia causou desconforto interno. A partir de agora, a seleção pretende concentrar esforços na recuperação dentro de campo e na preparação para os próximos compromissos da Copa.

Sem Neymar e sob pressão, o Brasil tenta reorganizar o ambiente para a sequência do Grupo C. A situação do camisa 10 seguirá monitorada de perto, mas a CBF não pretende antecipar prazos enquanto o atacante não apresentar uma evolução considerada decisiva pelo departamento médico.

Artigos Relacionados