Existe má vontade de Ancelotti com Endrick? Cobrança por presença de jovem em campo aumenta
Técnico italiano evitou comentar individualmente a ausência do jovem após empate por 1 a 1 na Copa
247 - O jogador Endrick virou alvo de cobrança após ficar no banco da Seleção Brasileira no empate por 1 a 1 com o Marrocos, pela primeira rodada do Grupo C da Copa do Mundo. O atacante de 19 anos não foi utilizado por Carlo Ancelotti em uma partida na qual o Brasil teve dificuldades ofensivas e buscava alternativas para tentar a vitória. As informações são de O Globo.
A decisão de manter Endrick entre os reservas reacendeu uma discussão que já acompanhava Ancelotti desde os tempos de Real Madrid: a leitura de que o treinador oferece ao jovem atacante menos espaço do que parte da torcida e da imprensa considera adequado.
A cobrança aumentou porque a estreia brasileira ficou abaixo das expectativas. Mesmo diante de um cenário em que a Seleção teve problemas para criar e pressionar o Marrocos, Ancelotti iniciou o jogo com Igor Thiago no comando do ataque e não acionou Endrick durante os 90 minutos.
Após a partida, o técnico italiano foi questionado sobre a ausência do atacante, mas evitou tratar individualmente da decisão. A resposta indicou que o treinador pretende preservar a análise coletiva em meio à competição.
“Eu não estou aqui para falar individualmente de um jogador, falo da equipe. A equipe no primeiro tempo não jogou bem, no segundo tempo foi melhor. Tivemos algumas oportunidades. Temos que acertar mais”, afirmou Ancelotti.
A fala reforçou a percepção de que Endrick ainda não ocupa, na avaliação do treinador, um papel central na estrutura da equipe. Ancelotti costuma elogiar o potencial do atacante, mas tem adotado uma condução cautelosa em relação ao jogador.
A cautela do treinador envolve critérios que pesam historicamente em suas escolhas. Leitura tática, participação coletiva, comportamento sem a bola e regularidade de desempenho são aspectos que ajudam a explicar por que Endrick, mesmo visto como um jogador decisivo, ainda não recebe protagonismo contínuo.
Na prática, Ancelotti parece tratar o atacante como uma peça capaz de mudar jogos, mas ainda em processo de amadurecimento para assumir responsabilidade maior em uma Seleção que disputa o título mundial. Essa visão, no entanto, contrasta com a pressão externa por mais minutos.
Os defensores de Endrick apontam números e atuações para sustentar a cobrança. Antes do início da Copa do Mundo de 2026, o atacante acumulava 14 partidas e três gols pela Seleção principal. Os gols foram marcados contra Inglaterra, Espanha e México.
O desempenho em relação ao tempo de jogo é um dos principais argumentos em favor do atacante. Mesmo entrando muitas vezes no decorrer das partidas, Endrick conseguiu produzir e ser decisivo em momentos importantes.
O primeiro gol pela Seleção, marcado em março de 2024, no estádio de Wembley, colocou Endrick como o jogador mais jovem a balançar as redes pela equipe masculina do Brasil desde Pelé. Em amistoso contra o Egito, ele também marcou.
Além da passagem pela Seleção, a trajetória recente do atacante reúne experiências relevantes para um jogador de sua idade. Endrick disputou decisões de Campeonato Brasileiro e Libertadores pelo Palmeiras, participou da Copa América e passou a conviver com o ambiente competitivo do Real Madrid.
Outro ponto usado por quem defende mais espaço para o jogador é sua evolução física precoce. Ainda em 2022, quando tinha 16 anos, o Palmeiras via no atacante uma maturação incomum para a idade, com combinação de força, explosão, centro de gravidade baixo e capacidade de suportar contato físico contra zagueiros mais experientes.
Internamente, algumas dessas características chegaram a ser comparadas às de Romário, especialmente pela explosão e pela forma como o atacante usa o corpo em disputas. A avaliação era de que Endrick se destacava não apenas pelo talento técnico, mas também por uma estrutura física que acelerava sua adaptação ao futebol profissional.
A discussão ganhou novo componente com uma manifestação de Casemiro, uma das lideranças da Seleção Brasileira. O volante defendeu cuidado na condução do jovem atacante e alertou para o risco de colocar sobre um jogador de 19 anos a obrigação de resolver os problemas ofensivos da equipe.
A leitura da declaração dividiu opiniões. Para quem pede Endrick como titular ou mais presente nos jogos, a fala mostra que o atacante ainda é tratado como promessa, apesar de já ter dado sinais de capacidade para decidir partidas importantes. Para os defensores da gestão de Ancelotti, a posição de Casemiro expressa uma preocupação legítima com a pressão excessiva durante uma Copa do Mundo.
O debate sobre uma possível má vontade de Ancelotti com Endrick, portanto, envolve mais do que a escolha de um jogo. De um lado, há a cobrança por aproveitar um atacante jovem, decisivo e popular. De outro, está a lógica de um treinador que costuma privilegiar equilíbrio, maturidade competitiva e encaixe coletivo.
A sequência da Copa deve indicar se Endrick ganhará mais espaço ou se seguirá como alternativa no banco. Depois do empate na estreia, a pressão por mudanças aumentou, e o atacante se tornou um dos nomes mais pedidos para ajudar a Seleção Brasileira a reagir no Grupo C.



