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Há 88 anos, Itália vencia a Hungria e se tornava a primeira bicampeã mundial

Triunfo por 4 a 2 em Paris consolidou o domínio italiano nas Copas e fez de Vittorio Pozzo o único técnico bicampeão do mundo

O capital da seleção italiana, Giuzeppe Meazza, recebe a taça da Copa do Mundo das mãos de Jules Rimet, no final da edição de 1938 do Mundial (Foto: FIFA/Creative Commons)
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247 - Antes que a Segunda Guerra Mundial interrompesse o futebol e mergulhasse a Europa em uma de suas fases mais sombrias, a Itália escreveu um capítulo decisivo na história das Copas. Em 19 de junho de 1938, no Estádio Olímpico de Colombes, nos arredores de Paris, a seleção italiana venceu a Hungria por 4 a 2 e se tornou a primeira bicampeã mundial.

O título repetia a conquista de 1934 e consolidava a força italiana no futebol da época. Sob o comando de Vittorio Pozzo, a equipe chegou ao segundo troféu consecutivo e deixou uma marca que atravessou quase nove décadas: nenhum outro treinador, até hoje, venceu duas edições da Copa do Mundo.

Na final, Gino Colaussi e Silvio Piola foram os protagonistas ofensivos da Itália, com dois gols cada. A Hungria conseguiu descontar duas vezes e manteve a partida viva, mas não teve força suficiente para impedir a vitória italiana em solo francês.

A Copa de 1938 foi disputada em mata-mata, com 15 seleções, e acabou se tornando a última edição antes da Segunda Guerra Mundial. O torneio só voltaria a ser realizado em 1950, no Brasil, depois de uma interrupção de 12 anos. Durante todo esse período, a Itália permaneceu simbolicamente como campeã mundial.

O contexto político pesou sobre a competição. A Europa se aproximava do conflito, e o regime fascista de Benito Mussolini explorou a seleção como instrumento de propaganda. Relatos da época registram que jogadores italianos fizeram saudações fascistas em jogos do torneio, evidenciando a relação entre esporte e poder naquele momento histórico.

O Brasil também deixou sua marca na França. A seleção brasileira terminou em terceiro lugar, e Leônidas da Silva foi o artilheiro da Copa, com sete gols. Ele participou de uma das partidas mais lembradas daquela edição, a vitória do Brasil sobre a Polônia por 6 a 5 na prorrogação.

A decisão contra a Hungria confirmou o domínio italiano no futebol mundial dos anos 1930. Mas, com o passar do tempo, o recorde de Vittorio Pozzo tornou-se o símbolo mais resistente daquela campanha.

Há 88 anos, a Itália levantava a taça pela segunda vez seguida. Pouco depois, o mundo entraria em guerra, e a Copa só voltaria a ter uma final 12 anos mais tarde.

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