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Irã estreia na Copa sob protestos e divisão política em Los Angeles

Torcedores iraniano-americanos exibiram símbolos contra Teerã em jogo marcado pelo impacto da guerra e por tensão política

Torcedores exibem bandeira pré-revolucionária dentro do estádio - 15 de junho de 2026 (Foto: DANIEL COLE)
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247 - A estreia do Irã na Copa do Mundo, em Los Angeles, nesta segunda-feira (15), foi marcada por manifestações contra o governo de Teerã, divisão entre torcedores e forte tensão política em torno da presença da seleção em solo estadunidense.

As informações são da Reuters. A partida ocorreu apenas 24 horas depois do anúncio de um acordo de paz para encerrar a guerra iniciada em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. A delegação iraniana havia chegado aos EUA no domingo (14), vinda de sua base de treinamento em Tijuana, no México, no mesmo momento em que o acordo era divulgado.

Em Los Angeles, cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do Irã, o jogo expôs diferentes sentimentos entre integrantes da diáspora. Parte dos torcedores celebrou a presença da seleção no maior torneio do futebol, enquanto outros expressaram revolta com a repressão do governo iraniano a manifestantes e preocupação com a campanha de bombardeios conduzida por Washington.

Do lado de fora do estádio, entre 300 e 500 manifestantes se reuniram com cartazes e bandeiras contrárias ao governo iraniano. Muitos disseram que não entrariam para assistir à partida, por considerarem que a presença nas arquibancadas poderia ser interpretada como apoio a Teerã.

Outros torcedores entraram no estádio levando símbolos de protesto, entre eles a bandeira pré-revolucionária iraniana, que mantém as mesmas cores da bandeira oficial atual, mas traz o emblema do leão e do sol. O gesto abriu um ponto de tensão entre regras de segurança, normas da Fifa e o direito à liberdade de expressão nos Estados Unidos.

O Irã havia ameaçado suspender partidas caso bandeiras não oficiais fossem exibidas ou slogans políticos fossem entoados. Apesar disso, o jogo desta segunda-feira (15) ocorreu conforme previsto. A Fifa, questionada anteriormente sobre o tema, afirmou que proíbe bandeiras e roupas de natureza política, mas não detalhou como trataria especificamente a bandeira pré-revolucionária iraniana. A entidade não comentou imediatamente o caso durante a partida.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, esteve presente no estádio. Segundo a Reuters, várias pessoas passaram pela segurança carregando a bandeira com o leão e o sol ou vestindo camisetas com o símbolo, sem impedimentos aparentes. Muitas ergueram a bandeira a partir de seus assentos.

Três pessoas nas arquibancadas, usando camisetas brancas com o emblema do leão e do sol, disseram que decidiram vestir a peça apesar das advertências. “Esta equipe não é a equipe do povo do Irã”, afirmou Farhad Jafargad. Ele e outros torcedores disseram que pretendiam apoiar a Nova Zelândia.

Houve também torcedores que se envolveram na bandeira oficial iraniana e reclamaram de hostilidade por parte dos manifestantes. Para esse grupo, o foco deveria estar no futebol e no apoio à seleção, conhecida como Team Melli.

“Estou aqui para apoiar o Irã. Vamos ganhar este jogo”, disse Mehdi Jafari, de 57 anos, ao entrar no estádio vestindo uma camisa da seleção iraniana.

“Temos muito orgulho do nosso país. Estamos aqui para torcer pelo Irã. Acho que todos devemos deixar a política de lado e simplesmente torcer pelo Team Melli”, afirmou Jafari.

Dentro do estádio, a divisão também ficou evidente. Parte do público vaiou o hino nacional iraniano e comemorou o primeiro gol da Nova Zelândia. Ainda assim, a maioria dos torcedores presentes apoiava o Irã e celebrou quando a equipe asiática chegou ao empate.

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