Presidente da Fifa lamenta veto à entrada de árbitro somali nos EUA: "não somos os reis do mundo"
Em entrevista coletiva, Gianni Infantino falou sobre impasses com vistos e celebrou a presença do Irã no Mundial
247 - O presidente da Fifa, Gianni Infantino, lamentou nesta quarta-feira (10), na Cidade do México, a decisão das autoridades dos Estados Unidos de impedir a entrada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan no país. Durante entrevista coletiva às vésperas da abertura da Copa do Mundo, o dirigente afirmou que a entidade esportiva busca soluções para questões envolvendo vistos e imigração, mas ressaltou que não tem poder sobre governos. As informações são do GE.
Omar Abdulkadir Artan, da Somália, foi impedido de ingressar nos Estados Unidos por agentes de imigração e teve de retornar à Turquia, país de onde partiu. O árbitro estava escalado para trabalhar em partidas da Copa do Mundo. Ao comentar o episódio, Infantino declarou: "É infeliz o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália."
Em seguida, acrescentou: "Não somos reis do mundo, não temos controle sobre governos, policiais". Segundo ele, a Fifa tenta resolver os problemas que surgem, mas atua dentro dos limites de uma organização esportiva. O dirigente também pediu compreensão em relação às dificuldades enfrentadas pela entidade. "Queremos unir o mundo. Se quiserem me criticar, podem criticar. Mas promovam a unidade do mundo", afirmou.
Irã confirmado no Mundial
Outro tema central da entrevista foi a participação do Irã na Copa do Mundo. Infantino afirmou que sempre acreditou que a seleção iraniana disputaria a competição, apesar dos obstáculos enfrentados nos últimos meses. "Estou muito feliz porque eu mesmo fui visitar a equipe do Irã na Turquia e na Itália", declarou. O presidente da Fifa lembrou ainda que havia garantido anteriormente a presença da seleção no torneio quando surgiram dúvidas sobre sua participação.
O Irã enfrenta uma guerra contra Estados Unidos e Israel desde fevereiro. Nesse contexto, a seleção conviveu com ameaças de boicote, dificuldades para obtenção de vistos e mudanças em sua preparação para o Mundial.
Embora os jogadores tenham recebido autorização para entrar nos Estados Unidos na última sexta-feira (5), a embaixada iraniana na Turquia acusou as autoridades estadunidenses de tratamento discriminatório, alegando que integrantes da comissão técnica não obtiveram as permissões necessárias.
A demora na emissão dos documentos também levou a seleção a alterar sua logística. Inicialmente, o centro de treinamentos do Irã seria em Tucson, no estado do Arizona. Diante dos entraves burocráticos, a equipe foi transferida para Tijuana, no México, onde chegou no domingo (7).
Ao tratar das críticas sobre os vistos, Infantino argumentou que a Fifa precisa respeitar as decisões soberanas dos países-sede. "A segurança é nossa prioridade máxima. E temos que respeitar", disse.
O dirigente voltou a pedir confiança no trabalho da entidade e destacou o esforço realizado para garantir a presença dos iranianos na competição. "Já tivemos êxito no momento em que já conseguimos trazer o Irã", afirmou.
Relação com Trump
Questionado sobre sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Infantino afirmou manter uma cooperação próxima com o mandatário.
"Eu tenho um excelente relacionamento com o presidente Trump", declarou. Segundo ele, o apoio do governo estadunidense foi determinante para a organização do Mundial nos EUA.
Ingressos e arrecadação
Infantino também respondeu às críticas relacionadas ao preço dos ingressos. De acordo com o dirigente, mais de seis milhões de entradas já foram comercializadas para o torneio.
Ele afirmou que o valor inicial de US$ 60 representa o menor preço de entrada entre grandes eventos esportivos realizados nos Estados Unidos nessa fase das competições. O presidente da Fifa atribuiu parte da alta dos preços ao mercado secundário de revenda, legalizado no país.
Segundo o dirigente, a arrecadação obtida com a Copa do Mundo é reinvestida no desenvolvimento do futebol em diferentes regiões do planeta. Ele também argumentou que essa estrutura financeira contribui para manter a transmissão dos jogos em sinal aberto.
Expectativas para a Copa
Ao ser perguntado sobre o que faria esta edição superar a Copa do Mundo do Catar, Infantino afirmou que o sucesso do torneio estará ligado à experiência proporcionada aos torcedores.
O presidente da Fifa disse esperar grandes partidas, segurança dentro e fora dos estádios e um ambiente que permita ao público aproveitar o evento. Também declarou que gostaria de ver uma redução das polêmicas durante os 39 dias de competição.
A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira (11), com o confronto entre México e África do Sul, às 16h, no estádio Azteca. As duas seleções integram o Grupo A, que também conta com Coreia do Sul e República Tcheca.



