Árbitro barrado nos EUA volta à Somália como herói
Omar Artan foi impedido de atuar na Copa, voltou a Mogadíscio sob aplausos e mira edição de 2030
247 - O árbitro somali Omar Artan, barrado nos Estados Unidos antes de atuar na Copa do Mundo, voltou a Mogadíscio recebido como herói por apoiadores e jornalistas, em meio à promessa de seguir sua trajetória internacional e participar da edição de 2030, após ter sido impedido de participar do torneio mesmo com visto válido.
Selecionado pela Fifa para integrar a arbitragem da Copa do Mundo, Artan desembarcou na capital da Somália dias depois de ter a entrada negada pelo governo Trump. No principal aeroporto de Mogadíscio, ele foi recebido por mais de 100 pessoas, que aplaudiram sua chegada e acompanharam suas primeiras declarações após o episódio.
“Estarei na próxima Copa do Mundo e continuarei a dar orgulho à Somália. Apesar de tudo o que aconteceu comigo, não estou desanimado”, afirmou Omar Artan.
O árbitro estava prestes a se tornar o primeiro somali a trabalhar em uma Copa do Mundo. Além de integrar a lista final de oficiais escolhidos pela Fifa para o torneio, ele é considerado um dos principais nomes da arbitragem africana e foi eleito o melhor árbitro masculino da África em 2025.
O caso, que ganhou repercussão internacional, frustrou uma marca inédita para o esporte da Somália. Mesmo assim, Artan procurou transformar a situação em uma mensagem de resistência e esperança, especialmente direcionada aos jovens somalis.
“O que aconteceu, aconteceu, e foi lamentável. Sou grato pelo apoio que a Fifa me deu. A Somália é nossa, seja nas coisas boas ou ruins. Quero dizer aos nossos jovens para não perderem a esperança em nosso país. Estou agora no meu país e não há outro lugar onde eu queira estar”, declarou.
Segundo autoridades dos Estados Unidos, a entrada de Omar Artan foi negada por razões de segurança nacional. O governo americano afirmou que o árbitro teria sido considerado inadmissível após uma análise de antecedentes que apontou supostas ligações com pessoas suspeitas de integrar organizações terroristas.
A administração Trump divulgou uma nota informando que o somali foi enquadrado em restrições previstas pela legislação migratória dos Estados Unidos. Posteriormente, um funcionário do governo confirmou que agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA concluíram que Artan poderia representar um potencial risco à segurança nacional.
A decisão provocou controvérsia porque o árbitro havia recebido um visto válido poucos dias antes da viagem. De acordo com a embaixada da Somália no Quênia, responsável pelo processamento do documento, todos os requisitos necessários para a emissão do visto tinham sido cumpridos.
Artan chegou a Miami em um voo vindo de Istambul no sábado (6). Após desembarcar, permaneceu detido por cerca de 11 horas no aeroporto antes de ser colocado em um voo de retorno. Com isso, qualquer possibilidade de participação dele na Copa do Mundo foi encerrada.
Um porta-voz da Fifa confirmou que Omar Artan não poderá mais atuar nem participar das atividades de arbitragem da competição, iniciada nesta quinta-feira na Cidade do México. A entidade, segundo o próprio árbitro, prestou apoio durante o episódio.
O governo da Somália também lamentou o ocorrido e informou que tentou negociar com as autoridades americanas e com a Fifa para viabilizar a entrada de Artan nos Estados Unidos. As tratativas, porém, não tiveram sucesso, e o árbitro retornou ao país sob forte demonstração de apoio popular.



