Protesto na abertura da Copa do Mundo termina em confronto no México
Professores e familiares de desaparecidos tentaram se aproximar do Estádio Azteca durante México x África do Sul
247 - A abertura da Copa do Mundo de 2026 foi marcada por confronto entre manifestantes e policiais nas proximidades do Estádio Azteca, na Cidade do México, nesta quinta-feira (11), enquanto México e África do Sul disputavam a primeira partida do torneio.
Segundo reportagem de GloboNews, presente no local, manifestantes liderados por professores retiraram barreiras instaladas para proteger o perímetro do estádio e trocaram agressões com agentes responsáveis pela segurança.
Os protestos reuniram diferentes grupos sociais, com destaque para professores em greve e familiares de pessoas desaparecidas no México. Os atos ocorreram em áreas da zona sul da capital mexicana durante a cerimônia de abertura da Copa.
Os manifestantes começaram a se concentrar desde cedo com o objetivo de se aproximar do Estádio Azteca. No caminho, encontraram um forte esquema policial, que impediu o avanço dos grupos até o local da partida. A chegada dos torcedores, porém, não foi bloqueada.
Professores do ensino fundamental e médio protestam há mais de uma semana por melhores salários e condições de aposentadoria. Na noite de quarta-feira (10), a categoria rejeitou a proposta mais recente apresentada pelo governo mexicano.
Um professor grevista, ouvido sob condição de anonimato, afirmou que o jogo servia para desviar a atenção das reivindicações sociais. “Esta partida é uma distração, só serve à Fifa, à Claudia Sheinbaum e aos Estados Unidos”, disse.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum classificou o protesto como uma “provocação” destinada a produzir imagens de repressão durante a Copa. Ela afirmou que não cairia na armadilha.
Além dos confrontos nos arredores do estádio, a agência AFP relatou tumulto em uma Fan Fest da Fifa na Praça da Constituição, no centro da Cidade do México. A confusão foi atribuída ao grande número de torcedores e às placas metálicas instaladas pela polícia para proteger a área de eventuais manifestações.
O torcedor Víctor Gómez, de 49 anos, descreveu o cenário como caótico. “Levamos uma hora para entrar, foi um caos, e sair foi ainda pior. (...) Pode até morrer gente lá dentro, não dá nem para andar, nem ver nada, só conseguimos ver a última telinha”, afirmou à AFP.
O México será sede de 13 dos 104 jogos da Copa do Mundo de 2026, torneio organizado em conjunto com Estados Unidos e Canadá. A partida entre México e África do Sul abriu oficialmente a competição nesta quinta-feira (11).
A abertura também foi afetada por problemas relacionados à entrada de torcedores nos Estados Unidos. O Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim afirmou que a seleção africana não poderá contar com seus apoiadores durante o torneio porque eles não conseguiram obter vistos americanos.
O presidente do organismo, Julien Kouadio Adonis, criticou a situação. “Os Estados Unidos foram claros conosco ao dizer que não queriam ver nossos torcedores”, declarou.



