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Técnico da Costa do Marfim acusa Schweinsteiger de racismo na Copa

Émerse Faé critica comentário de Schweinsteiger sobre futebol africano e diz que resposta da Costa do Marfim virá dentro de campo

Bastian Schweinsteiger (Foto: USA TODAY Network via Reuters Connect)
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247 - A classificação inédita da Costa do Marfim para a fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026 ganhou um novo capítulo fora das quatro linhas, após o técnico Émerse Faé reagir a declarações do ex-jogador alemão Bastian Schweinsteiger sobre o futebol africano. O treinador marfinense acusou o campeão mundial de 2014 de racismo e afirmou que ficou decepcionado com o comentário feito durante a transmissão da TV alemã ARD.

A fala de Schweinsteiger foi feita depois da vitória da Alemanha sobre a Costa do Marfim. Atuando como comentarista da emissora alemã durante o Mundial, o ex-meio-campista afirmou que seleções africanas praticam um futebol “às vezes pouco ortodoxo, um pouco selvagem e não tão tático”. A declaração provocou forte reação de Faé, que se manifestou após a vitória marfinense por 2 a 0 sobre Curaçao, resultado que garantiu à equipe uma vaga nos 16 avos de final.

O técnico da Costa do Marfim afirmou que sempre admirou Schweinsteiger como jogador, mas disse ter ficado profundamente decepcionado ao ouvir a análise do alemão sobre o estilo de jogo africano. “É triste porque o Bastian foi um jogador extraordinário. Sempre admirei a maneira como ele entendia o futebol. Mas fiquei decepcionado com o homem quando ouvi esses comentários. Quando alguém conhece futebol como ele conhece, é estranho ouvir esse tipo de declaração, que posso classificar, sem rodeios, como racista”, declarou Émerse Faé.

A crítica do treinador marfinense ocorre em meio a uma campanha histórica da Costa do Marfim na Copa do Mundo de 2026. A equipe avançou de fase pela primeira vez no torneio, impulsionada por uma atuação segura contra Curaçao e por um desempenho que, segundo Faé, serve para contestar estereótipos sobre o futebol praticado no continente africano.

Faé ressaltou que respeita o direito de opinião, mas rejeitou a caracterização feita por Schweinsteiger. Para o treinador, a melhor resposta às declarações será dada no gramado, com organização coletiva, qualidade técnica e leitura tática. “Cada um tem o direito de dizer o que pensa. Eu não concordo. O que podemos fazer é mostrar em campo que o futebol africano também é técnica, organização e inteligência tática”, afirmou.

A declaração de Schweinsteiger repercutiu principalmente porque partiu de um ex-atleta reconhecido pela carreira vitoriosa no futebol europeu e pela conquista da Copa do Mundo de 2014 com a seleção alemã. Para Faé, justamente o histórico do alemão torna o comentário mais grave, já que, em sua avaliação, alguém com tamanha experiência no esporte deveria evitar generalizações sobre seleções africanas.

O treinador da Costa do Marfim também ironizou o momento vivido pelo ex-jogador fora dos gramados. “Hoje ele está um pouco no anonimato. Talvez esteja tentando voltar aos holofotes criando polêmica”, disse.

Com a classificação assegurada, a Costa do Marfim agora tenta transformar a polêmica em motivação para a sequência da Copa. A equipe chega à fase eliminatória buscando consolidar sua melhor campanha em Mundiais e reforçar, dentro de campo, a mensagem defendida por Faé: a de que o futebol africano combina força, técnica, estratégia e inteligência coletiva.

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