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Abate de bovinos, suínos e frangos bate recorde no 1º trimestre

IBGE aponta maior volume da série histórica para o período, com alta nas carnes, recorde na aquisição de leite e estabilidade no couro

Carne cortada no Rio Grande do Sul (Foto: Fernando Dias/Seapdr)
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247 - O Brasil registrou no primeiro trimestre de 2026 o maior volume de abates de bovinos, suínos e frangos para um início de ano desde o começo da série histórica, em 1997. O avanço também foi acompanhado por recorde na aquisição de leite cru sob inspeção sanitária, enquanto a produção de ovos cresceu levemente e o recebimento de couro pelos curtumes ficou estável na comparação anual.

Segundo as Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgadas nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, foram abatidas 10,29 milhões de cabeças de bovinos entre janeiro e março de 2026. O resultado representa crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025, embora tenha havido queda de 6,9% frente ao quarto trimestre do ano passado.

Recorde no abate de bovinos marca o início de 2026

A produção de carcaças bovinas chegou a 2,63 milhões de toneladas no primeiro trimestre, volume 5,1% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, porém, houve retração de 10,3%.

De acordo com o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, o comportamento do abate de fêmeas foi um dos pontos centrais do período. “O setor de bovinos foi marcado pelo maior volume de abate e produção de carcaças em um primeiro trimestre. A participação de fêmeas no abate teve um aumento superior à de machos e atingiu o recorde de 49,9%. Este comportamento significa a retomada do crescimento do abate de fêmeas, após dois trimestres sucessivos de queda”, explicou.

Entre os estados, Mato Grosso manteve a liderança nacional no abate de bovinos, com 17,5% de participação. Em seguida aparecem São Paulo, com 11,6%, Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%.

Suínos e frangos também avançam na comparação anual

O abate de suínos alcançou 15,27 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2026. O número representa alta de 5,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e leve queda de 0,1% na comparação com o quarto trimestre de 2025.

O peso acumulado das carcaças suínas somou 1,43 milhão de toneladas, com crescimento de 6,9% frente ao primeiro trimestre de 2025 e avanço de 1,0% diante do trimestre imediatamente anterior. Santa Catarina liderou o abate de suínos no país, com 28,1% da participação nacional, seguida por Paraná, com 20,9%, e Rio Grande do Sul, com 17,8%.

No caso dos frangos, foram abatidas 1,71 bilhão de cabeças no primeiro trimestre de 2026. O volume ficou 3,6% acima do resultado registrado no mesmo período de 2025, mas recuou 0,5% em relação ao quarto trimestre do ano passado.

A produção de carcaças de frango chegou a 3,73 milhões de toneladas, alta de 6,9% na comparação anual e de 2,2% frente ao trimestre anterior. O Paraná permaneceu como principal estado produtor, concentrando 35,0% da produção nacional. Santa Catarina respondeu por 13,3%, Rio Grande do Sul por 11,8% e São Paulo por 10,9%.

Aquisição de leite tem maior volume para um 1º trimestre

A aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção sanitária federal, estadual ou municipal somou 6,78 bilhões de litros entre janeiro e março de 2026. O volume representa alta de 2,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e queda de 8,0% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.

O resultado foi o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica da pesquisa. Apesar do crescimento no volume adquirido, o preço médio pago ao produtor caiu na comparação anual.

“O preço líquido médio pago aos produtores pela indústria foi de R$ 2,24, sendo 18,8% inferior ao praticado no 1º trimestre/2025. Este valor, porém, apresentou tendência de aumento ao longo dos meses do trimestre, partindo de R$ 2,10 em janeiro a R$ 2,44 em março”, afirmou Octávio Oliveira.

As principais altas em volume ocorreram no Paraná, com acréscimo de 88,74 milhões de litros, no Rio Grande do Sul, com 60,24 milhões de litros, em Santa Catarina, com 44,56 milhões de litros, em Minas Gerais, com 26,63 milhões de litros, e no Ceará, com 12,76 milhões de litros.

Couro fica estável na comparação com 2025

Os curtumes pesquisados pelo IBGE declararam ter recebido 10,75 milhões de peças inteiras de couro cru bovino no primeiro trimestre de 2026. O resultado indica estabilidade em relação ao mesmo período de 2025 e queda de 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.

A pesquisa considera curtumes que realizam o curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano. Goiás liderou o recebimento de peças para processamento, com 19,0% da participação nacional. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 16,8%, e Mato Grosso do Sul, com 12,1%.

Produção de ovos cresce 0,4% em um ano

A produção brasileira de ovos de galinha chegou a 1,21 bilhão de dúzias no primeiro trimestre de 2026. O número representa crescimento de 0,4% na comparação com o mesmo período de 2025, mas queda de 3,5% em relação ao quarto trimestre do ano passado.

São Paulo permaneceu como o maior produtor nacional de ovos, respondendo por 24,6% da produção no primeiro trimestre. Minas Gerais aparece em seguida, com 10,2%, à frente do Paraná, com 9,8%, e do Espírito Santo, com 7,9%.

O conjunto dos dados mostra um início de 2026 marcado por forte desempenho da pecuária brasileira na comparação anual, com recordes históricos em segmentos estratégicos como abate de animais e aquisição de leite sob inspeção sanitária.

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