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Brasil pode perder US$ 1,8 bilhão com veto da Europa à carne do país

Decisão ameaça exportação de carne bovina, frango, mel, tripas, peixe e carne de cavalo

Carne em unidade de produção da JBS no Brasil (Foto: Reuters)
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247 - O Brasil pode deixar de exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia a partir de 3 de setembro, após ser retirado da lista de países autorizados a vender ao bloco. A decisão ameaça um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em 2025 e inclui carne bovina, frango, mel, tripas, peixe e carne de cavalo, informa o G1.

A exclusão foi formalizada pela União Europeia sob a justificativa de que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre a não utilização de determinados antimicrobianos na pecuária. Na lista de 2024, o país ainda aparecia habilitado a exportar carne bovina, carne de frango, carne de cavalo, tripas, peixe e mel. Agora, o Brasil deixou de constar como autorizado para todos esses produtos.

A União Europeia é um dos principais destinos das carnes brasileiras. O bloco responde por 5,7% do valor total exportado pelo Brasil no segmento, ocupando a segunda posição entre os mercados compradores, atrás apenas da China, de acordo com dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.

Em 2025, os países europeus compraram 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão. O impacto potencial da restrição preocupa exportadores porque atinge um mercado de alto valor agregado e com forte peso estratégico para o setor de proteínas animais.

Carne bovina concentra maior valor nas vendas à UE

Entre os produtos afetados, a carne bovina é o item de maior relevância em valor nas exportações brasileiras para a União Europeia. Em 2025, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão com as vendas ao bloco, correspondentes a 128 mil toneladas.

O mercado europeu é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas de China e Estados Unidos. Por isso, a saída da lista de exportadores autorizados representa um risco importante para frigoríficos e produtores que dependem desse canal comercial.

A carne de frango também aparece entre os produtos mais impactados pela medida. No ano passado, as exportações brasileiras do setor para a União Europeia somaram US$ 762 milhões, com volume de 230 mil toneladas.

Além das carnes, outros produtos de origem animal podem ser afetados. As vendas de mel brasileiro ao bloco europeu alcançaram US$ 6 milhões em 2025, com cerca de mil toneladas exportadas. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal, a ABPA, o Brasil não vende carne suína para a União Europeia.

Países do Mercosul seguem autorizados

A decisão europeia não atingiu todos os integrantes do Mercosul. Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem autorizados a exportar para a União Europeia, segundo as informações disponíveis.

A diferença de tratamento aumenta a pressão sobre o Brasil para demonstrar conformidade com as exigências sanitárias do bloco. A retirada da autorização ocorre em meio a regras europeias mais rígidas sobre substâncias utilizadas na produção animal.

Entre os antimicrobianos mencionados estão virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina. Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns antimicrobianos empregados como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina.

Caminhos para o Brasil voltar à lista

Para recuperar a autorização de exportação à União Europeia, o Brasil tem duas alternativas principais. A primeira é restringir legalmente o uso dos demais medicamentos citados. A segunda é garantir que a carne enviada ao bloco europeu não contenha essas substâncias.

A segunda opção é considerada mais complexa, pois depende de rastreabilidade do produto, além de exigir processos mais demorados e custosos. Assim que for comprovado que a pecuária brasileira não utiliza os antimicrobianos vetados, o país poderá voltar a exportar para a União Europeia, mesmo que isso ocorra depois de setembro.

Segundo o pesquisador ouvido pela reportagem original, as restrições já eram esperadas desde 2019, quando a União Europeia passou a indicar que adotaria novas exigências sobre o tema.

"Gera preocupação relevante para o agro porque a União Europeia é um mercado estratégico para proteínas animais e porque essas exigências podem impactar rastreabilidade, certificação sanitária e compliance exportador", afirma o pesquisador.

A retirada do Brasil da lista europeia coloca o setor exportador diante de um desafio regulatório e comercial. Até que as exigências sejam atendidas, carnes e outros produtos de origem animal brasileiros podem perder acesso a um mercado que movimenta bilhões de dólares e tem papel relevante na pauta do agronegócio nacional.

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