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Plano Safra 2026/27: Ministério da Agricultura defende taxa de juros em um dígito para custeio

"Nosso pleito junto ao Tesouro, Ministério da Fazenda e Casa Civil é uma taxa de juros para custeio de um dígito", declarou o secretário Guilherme Campos

Colheita (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)
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247 - O Ministério da Agricultura trabalha para que as linhas de custeio do Plano Safra 2026/27 sejam oferecidas com taxa de juros de um dígito. A informação foi dada pelo secretário de Política Agrícola da pasta, Guilherme Campos, em entrevista à CNN Brasil.

"Nosso pleito junto ao Tesouro, Ministério da Fazenda e Casa Civil é uma taxa de juros para custeio de um dígito", declarou o secretário. A defesa de juros menores ocorre em meio à preocupação com o aumento do custo do crédito rural e com as dificuldades enfrentadas pelos produtores para acessar recursos oficiais em um cenário de taxas elevadas.

No atual ciclo, a taxa de custeio empresarial chegou a 14% ao ano, com a Selic em 15% ao ano no momento do anúncio do programa. Campos afirmou que o encarecimento do crédito se tornou um dos principais desafios para o setor agropecuário.

Na avaliação do secretário, experiências recentes indicam que taxas mais baixas estimulam a contratação de financiamentos pelos produtores. Como exemplo, ele citou as operações voltadas à agricultura familiar. Segundo o secretário, "as taxas oferecidas para a agricultura familiar, de até 4% ao ano e 6% ao ano, foram todas tomadas".

Acesso aos recursos preocupa governo

No ciclo atual, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária. Entretanto, o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões desse total, valor inferior a um quarto dos recursos disponibilizados.

Para Campos, existe o risco de que a situação se repita no próximo ciclo caso questões relacionadas ao seguro rural e ao endividamento dos produtores não sejam tratadas de forma conjunta com o Plano Safra. O secretário argumenta que o principal problema não é apenas o volume de recursos, mas a efetiva chegada do crédito ao produtor.

Anúncio será mantido em junho

Apesar das negociações ainda em andamento, o Ministério da Agricultura descarta qualquer adiamento do anúncio do Plano Safra 2026/27. Segundo Campos, os prazos do calendário agrícola são determinados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) e não podem ser alterados por decisões políticas.

"Não há possibilidade de adiamento do anúncio, porque o tempo de plantar é independente de qualquer coisa. Está no ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático). Esse calendário nem a política consegue mudar", declarou.

Sobre o montante de recursos para o próximo ciclo, o secretário afirmou que a proposta em discussão está próxima do valor solicitado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade defendeu um Plano Safra de R$ 623 bilhões, montante 53,5% superior aos R$ 405,9 bilhões do ciclo anterior. Segundo Campos, "está muito próximo daquilo que a CNA deliberou".

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