Soja bate recorde e impulsiona safra de grãos no Brasil
Soja bate recorde em 2026 e leva safra brasileira de grãos a 350,4 milhões de toneladas, segundo estimativa do IBGE
247 - A soja bateu novo recorde histórico em 2026 e deve sustentar o crescimento da safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, estimada em 350,4 milhões de toneladas em maio, alta de 1,2% em relação ao ano anterior e de 0,5% frente a abril. A produção da oleaginosa chegou a 174,6 milhões de toneladas, quase metade de todo o volume previsto para o país, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (11) pelo IBGE.
Os três principais produtos do grupo — arroz, milho e soja — concentram 92,8% da produção estimada e 87,6% da área a ser colhida no Brasil. Em relação a 2025, a área destinada à soja cresceu 1,1%, enquanto a do milho avançou 3,3%, com expansão de 10,7% na primeira safra e de 1,5% na segunda. O sorgo também registrou aumento de área, de 9,3%.
O levantamento mostra, por outro lado, recuos na área a ser colhida de importantes culturas. A área do algodão herbáceo em caroço caiu 5,0%, a do arroz em casca teve redução de 11,6% e a do feijão diminuiu 4,4%. Na produção, os avanços ficaram concentrados na soja, com alta de 5,1%, e no sorgo, com crescimento de 3,9%.
Já as quedas atingiram o algodão herbáceo em caroço, com recuo de 8,1%; o arroz em casca, com retração de 11,4%; o milho, com baixa de 1,7%; o feijão, com queda de 5,8%; e o trigo, com redução de 7,8%. No caso do milho, a primeira safra cresceu 15,8%, mas a segunda teve declínio de 5,5%.
O desempenho da produção nacional de grãos está associado à ampliação das áreas de plantio, aos investimentos feitos pelos produtores e ao uso mais intenso de tecnologia nas lavouras. O clima também favoreceu a maior parte das regiões produtoras, embora alguns produtos ainda enfrentem dificuldades de rentabilidade.
De acordo com o técnico da Coordenação de Agropecuária do IBGE, Carlos Barradas, o levantamento de maio confirma um desempenho expressivo de algumas culturas, mas também indica pressão sobre a oferta de feijão no mercado interno. “No Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de maio de 2026, temos um recorde na produção da soja, do café canephora e do sorgo. No entanto, temos uma queda na produção do feijão, cuja produção encontra-se apertada quanto a atender ao consumo interno brasileiro, possivelmente, havendo a necessidade da importação de pequenas quantidades do produto”.
Centro-Oeste concentra metade da produção nacional
A região Centro-Oeste segue como a principal produtora de cereais, leguminosas e oleaginosas do país, com estimativa de 175,9 milhões de toneladas, equivalente a 50,2% do total nacional. Em seguida aparecem o Sul, com 92,4 milhões de toneladas e participação de 26,4%; o Sudeste, com 30,8 milhões de toneladas, ou 8,8%; o Nordeste, com 29,8 milhões de toneladas, ou 8,5%; e o Norte, com 21,5 milhões de toneladas, ou 6,1%.
Na comparação com 2025, a produção cresceu no Sul, com alta de 7,1%, e no Nordeste, com avanço de 7,5%. Houve queda no Centro-Oeste, de 1,5%; no Sudeste, de 0,9%; e no Norte, de 3,8%. Em relação a abril, os aumentos ocorreram no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto Norte e Nordeste tiveram pequenas retrações.
Entre os estados, Mato Grosso permanece na liderança nacional, com 31,0% da produção brasileira de grãos. Na sequência estão Paraná, com 13,6%; Rio Grande do Sul, com 10,7%; Goiás, com 10,6%; Mato Grosso do Sul, com 8,3%; e Minas Gerais, com 5,5%. Juntos, esses seis estados respondem por 79,7% da safra estimada.
Produção de soja chega a 174,6 milhões de toneladas
A produção brasileira de soja em grão foi estimada em 174,6 milhões de toneladas em maio, novo recorde da série histórica. O volume representa alta de 0,3% em relação a abril e crescimento de 5,1% frente à safra de 2025, quando foram produzidas 166,1 milhões de toneladas.
A área cultivada com soja deve chegar a 48,3 milhões de hectares, aumento de 1,1% em comparação ao ano anterior. O rendimento médio esperado é de 3.617 quilos por hectare, avanço de 4,0%, resultado que reflete a combinação entre tecnologia, recuperação de áreas atingidas por problemas climáticos na safra anterior e condições mais favoráveis em 2026.
Carlos Barradas afirmou que a expansão da soja no país está ligada ao aumento dos investimentos e ao papel central que a cultura passou a ocupar na agricultura brasileira. “Os produtores têm ampliado as áreas de plantio e investido mais nessa cultura que se tornou o principal grão produzido pelo país. Atualmente, a produção da soja representa quase 50% da safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas. O clima também beneficiou o desenvolvimento das lavouras e contribuiu para o aumento de sua produtividade”.
Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, teve sua estimativa ajustada para 50,7 milhões de toneladas, alta de 0,3%. O Paraná aparece em seguida, com 22,0 milhões de toneladas e crescimento de 2,7% em relação a 2025. No Rio Grande do Sul, a produção foi estimada em 18,4 milhões de toneladas, mantendo recuperação de 34,6% frente ao ano anterior. Em Mato Grosso do Sul, a estimativa chegou a 15,8 milhões de toneladas, com alta de 0,9%, puxada principalmente pela melhora da produtividade.
Armazenagem agrícola cresce no país
A Pesquisa de Estoques, também divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (11), apontou que a capacidade disponível de armazenagem agrícola no Brasil chegou a 233,8 milhões de toneladas no segundo semestre de 2025. O resultado representa alta de 1,1% em relação ao semestre anterior.
O número de estabelecimentos de armazenagem também cresceu, chegando a 9.668 unidades, avanço de 0,5% frente ao primeiro semestre de 2025. A única região com queda no número de estabelecimentos foi o Sul. As demais registraram aumento, com destaque para o Norte, que avançou 4,7%, seguido por Nordeste, com 1,9%; Sudeste, com 1,5%; e Centro-Oeste, com 0,3%.
Entre os principais produtos agrícolas armazenados em 31 de dezembro de 2025, o milho liderava os estoques, com 22,8 milhões de toneladas. Em seguida apareciam soja, com 7,3 milhões de toneladas; trigo, com 6,0 milhões; arroz, com 2,9 milhões; e café, com 0,8 milhão. Esses produtos representavam 90,3% do total estocado entre os itens acompanhados pela pesquisa.
Ao todo, a Pesquisa de Estoques identificou 44,1 milhões de toneladas de produtos monitorados. A série histórica mostra uma mudança estrutural na armazenagem agrícola brasileira nas últimas décadas. Em 28 anos, a capacidade dos armazéns convencionais caiu 56,9%, enquanto a dos armazéns graneleiros cresceu 151,4% e a dos silos avançou 469,7%.
Essa transformação acompanha a expansão da produção nacional de grãos, já que culturas como soja, milho e trigo costumam ser armazenadas principalmente em estruturas graneleiras e silos. O avanço da capacidade de armazenagem reforça a reorganização logística do setor diante do aumento contínuo da produção agrícola brasileira.



